Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 28 de outubro de 2026
Responsável pela militância digital pró-Lula no segundo turno, deputado foi eleito em 2018 após vídeos em apoio a líderes de caminhoneiros. Parlamentar admitiu rachadinha em seu gabinete e é alvo de medida protetiva obtida pela ex-mulher.
Eleito deputado federal pelo Avante em 2018, na esteira de vídeos publicados nas redes sociais durante a greve dos caminhoneiros, André Janones, de 42 anos, diz não saber explicar como se tornou estrategista digital.
Na época, já promovia transmissões ao vivo de 24 horas e recorria ao termo “urgente” para divulgar informações.
Quatro anos depois, foi pré-candidato à Presidência, mas desistiu para apoiar Lula. Na campanha petista, assumiu a tarefa de reforçar a atuação nas redes sociais e foi reeleito deputado.
Natural de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, Janones é filho de uma empregada doméstica que o criou sozinha. Seu pai morreu quando ele tinha dez meses.
O estilo polêmico e espontâneo lhe rendeu, entre petistas, apelidos como “cachorro louco”. Também o levou a se tornar réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por injúria contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ser condenado por danos morais por ofensas a apoiadores do ex-presidente. Foi dele, por exemplo, o apelido de “chupetinha” dado ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
“Tudo o que se faz na vida tem um preço a se pagar, e esse é o preço. No lugar deles (bolsonaristas), eu também reagiria”, afirmou.
Em entrevista à Folha, Janones disse que nunca estudou formalmente estratégias digitais. Segundo ele, o conhecimento foi adquirido na prática, ao longo dos anos, de maneira autodidata. O deputado afirma ter recebido um diagnóstico de altas habilidades há seis anos, o que o ajudou a compreender seu ritmo acelerado.
“Meu cérebro não para de ter ideias, até quando eu não quero, por isso eu não durmo muito”, relatou.
Durante a campanha eleitoral, o parlamentar impulsionou o canal “Exército do Lula”, que reuniu mais de 10 milhões de seguidores em menos de um mês. O resultado atraiu o interesse de campanhas de esquerda no exterior, incluindo a do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez.
Para lidar com a intensidade da rotina, Janones faz análise e pratica musculação, boxe, corrida e pilates, além de dançar forró ocasionalmente. Ele também se define como cinéfilo e diz se identificar com o filme “À Procura da Felicidade”, cuja história associa à própria trajetória de superação.
Advogado de formação, concluiu a faculdade com bolsa parcial e trabalhou como cobrador de ônibus para pagar os estudos. Depois de formado, passou a atender pessoas de baixa renda, especialmente na busca por acesso a serviços de saúde. Segundo ele, a dificuldade para conseguir o cumprimento de decisões judiciais o levou a adotar uma postura mais combativa nas redes.
Em 2016, concorreu à Prefeitura de Ituiutaba, mas não foi eleito. Afirma ter perdido todo o dinheiro investido na campanha e enfrentado dificuldades financeiras. Anos depois, surgiu uma denúncia de que teria praticado rachadinha no gabinete parlamentar para pagar dívidas eleitorais. Inicialmente, negou a acusação, mas depois a admitiu e firmou acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para evitar um processo criminal.
Janones também foi denunciado pela ex-mulher, Leandra Guedes, prefeita de Ituiutaba, por supostas ameaças de divulgação de imagens íntimas no fim de 2024. O caso tramita sob sigilo, e a Justiça concedeu medida protetiva que determina distância mínima de 300 metros entre os dois. Na ocasião, o deputado negou as acusações e afirmou ser vítima de armação.
Ao comentar sua trajetória, Janones reconheceu erros e afirmou que responde a processos por declarações e atitudes das quais se arrepende. “Não sou um cidadão de bem e nunca serei. Sou um cidadão que erra e acerta, mas que aprende e se transforma através dos seus erros”, declarou. (Com informações da Folha de S.Paulo)