Segunda-feira, 04 de Julho de 2022

Home Brasil Desinformação e medo fazem vacinação infantil contra a covid estacionar

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Da desinformação à baixa percepção de risco para a covid-19, passando por insegurança dos pais e por medo de reações adversas. Esses são os principais fatores citados por profissionais da saúde ao explicar o motivo do ritmo lento de vacinação infantil no Brasil. Até agora, quatro meses depois da imunização na faixa entre 5 a 11 anos ter sido iniciada, 38,81% das crianças ainda não receberam sequer uma dose.

A disparidade entre a quantidade de pessoas que receberam a primeira e a segunda dose também preocupa especialistas. Numa população estimada em 20,5 milhões de crianças, só 61,1% iniciaram o ciclo de imunização, segundo dados do LocalizaSUS, gerido pelo Ministério da Saúde. Quando consideradas as duas aplicações, a taxa despenca para 34,6%, pouco mais de um a cada três — bem inferior à meta de 90%.

“Estamos chegando à saturação vacinal da população (infantil), que é aquela que a gente não ultrapassa. Estamos diminuindo, vacinando cada vez menos”, alerta o presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri. “Pela primeira vez, vemos pais vacinados que não querem vacinar os filhos. Geralmente, é o contrário: todos preocupados com a saúde deles e relegando a um segundo plano a própria proteção.”

O pediatra e infectologista pondera, contudo, que os números podem sofrer impacto do represamento de dados, com atraso na inclusão de informações no sistema. Além disso, houve uma suspeita de ataque hacker na semana passada, que fez a pasta retirar do ar plataformas como Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) e ConecteSUS.

Pelo menos 384 crianças de 5 a 11 anos tiveram a morte confirmada por Covid-19 do início da pandemia até 22 de maio. A média é de mais de 14 óbitos infantis por mês e aponta para os riscos enfrentados pela faixa etária em relação à doença. Os números são do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), que compila dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), na qual a doença se inclui.

“É demais”, avalia a infectologista e epidemiologista Luana Araújo, referindo-se à taxa de quase 40% de crianças com nenhuma dose — a cobertura (com duas doses) tem que ser acima de 90%. Não atingir nem metade disso, principalmente quando se abandona as medidas de precaução também nas escolas, é um crime.

Convencimento

O Brasil oferta duas vacinas diferentes para o público mirim. Crianças de 5 a 11 anos podem receber a versão pediátrica da Pfizer, com intervalo de oito semanas. A partir de 6 anos, também há CoronaVac como opção, desde que não sejam imunossuprimidas. O prazo é de 28 dias entre as doses para o imunizante produzido pelo Instituto Butantan.

“Infelizmente, nós ainda não conseguimos convencer a população de que temos que vacinar as crianças. A vacinação infantil está progredindo pouco. Uma razão para isso é que as pessoas acham que pandemia acabou”, pontua o professor titular de Imunologia da Universidade de São Paulo (USP), Jorge Kalil. “Eu diria que (a cobertura com duas doses a esta altura da campanha) deveria ser o dobro, perto do patamar de 70%.”

Em alguns casos, o atraso não é motivado pelo desinteresse dos pais em vacinar, mas pela chamada janela vacinal, em que crianças contraem a doença entre a primeira e a segunda dose, atrasando a conclusão da imunização.

Foi assim com a empresária Daniela Naves e o filho Vitor, de 12 anos, que teve a segunda dose atrasada devido a contato com pacientes infectados e a um resfriado.

“Demorei a dar a segunda dose porque, quando veio a data, ele tinha chegado de viagem. O pessoal (que estava com ele) testou positivo para Covid, tive que esperar passar, depois ele ficou resfriado… Só agora deu uma trégua”, afirmou a mãe, moradora de Brasília, que levou o filho em um posto de saúde no Plano Piloto, região central da cidade, na última quinta-feira.

Questionado pela reportagem, o Ministério da Saúde reforçou a importância da vacinação e orientar que estados e municípios busquem crianças para elevar a cobertura.

“O Ministério da Saúde reforça amplamente a importância de a população completar o esquema vacinal para garantir a máxima proteção contra o vírus e conter o avanço de novas variantes no país. A pasta também recomenda aos estados e municípios que façam a busca ativa da população para completar o esquema vacinal contra a covid-19”, diz a nota.

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