Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 27 de setembro de 2026
Dias depois de dizer que é preciso “parar com essa babaquice de fazer superávit fiscal”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a pesos-pesados do PIB que a estabilidade fiscal é uma “coisa obrigatória”. Em jantar com empresários e banqueiros no hotel Tivoli Mofarrej, anteontem, Lula passeou pelo carrossel de problemas econômicos e até dirigiu brincadeiras aos convidados, mas parte da plateia saiu frustrada.
O encontro contou com mais de 700 pessoas, entre empresários, banqueiros, comandantes de corporações, executivos, advogados e assessores. O Estadão conversou com oito convidados dos setores financeiro, industrial e imobiliário, sob condição de anonimato.
Programado para ter início às 19 horas, o encontro só começou efetivamente às 20h40. Houve 1h40 de discursos dos organizadores Esfera Brasil, Prerrogativas e Parlatório, bem como de empresários, ministros e presidentes de instituições públicas, antes de o presidente tomar a palavra.
Alguns convidados tinham expectativas de anúncios concretos por parte de Lula em relação ao tema fiscal, o que não ocorreu. Havia quem esperasse medidas efetivas de cortes de despesas do governo ou, até mesmo, que o vice-presidente Geraldo Alckmin ou algum nome com maior credibilidade com o mercado fosse anunciado como ministro da Fazenda em eventual novo mandato de Lula. Nada nessa linha aconteceu e prevaleceu o tom de campanha eleitoral.
Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group, disse ter visto esforços da equipe de Lula para tentar fazer acenos do lado fiscal.
“Os discursos foram mais construtivos do que o presidente tem feito anteriormente”, afirmou Garman. “Principalmente se for somado ao que foi dito no evento: Aloizio (Mercadante, presidente do BNDES) chamou a atenção à necessidade de fazer controle de gastos, Alckmin (Geraldo Alckmin, vice-presidente) afirmou que não se pode subir os gastos além do PIB, Dario (Durigan, ministro da Fazenda) repetiu o que já vem dizendo nesse sentido e Lula falou o mesmo, daquele jeito dele, de que a mãe, dona Lindu, o ensinou que não se pode gastar mais do que ganha”, afirmou.
Ninguém, no entanto, saiu dali esperando uma profunda reforma fiscal, caso Lula ganhe novamente, disse Garman. Para o vice-presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), Basilio Jafet, o jantar foi de prestação de contas ao empresariado. “O evento foi bom, no sentido de entender o que o governo está pensando, mas sentimos que o tema do ajuste fiscal não tenha sido levado com a profundidade que merece”, afirmou. O discurso de Mercadante foi apontado como o mais pertinente em relação ao tema. Ele lembrou dos anos em que as gestões Lula obtiveram superávit e conquistaram o grau de investimento. (Com informações do portal Estadão)