Domingo, 01 de Novembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 31 de outubro de 2026
Carol Alves, de 36 anos, tem exames de rotina normais, peso e percentual de gordura saudáveis e uma rotina de exercícios. Veste 40. Para parte das mulheres que viram um vídeo seu sobre o tema, isso bastou para classificá-la como gorda. Alguns comentários chegaram a lhe atribuir obesidade de grau 1.
Nutricionista especializada em comportamento alimentar e transtornos alimentares e estudante de psicologia, Carol virou alvo de uma enxurrada de ataques ao questionar uma tendência que circula nas redes: a de que o manequim 38 ou 40, comum entre brasileiras, já não corresponde a um corpo magro.
O cenário em que o vídeo viralizou ganha dimensão com um estudo divulgado na quarta-feira (28), que mediu a anorexia e a bulimia em 204 países e encontrou 71% mais casos do que em 1990.
Especialista em comportamento alimentar e transtornos alimentares e estudante de psicologia, Carol acompanha o que viraliza nas redes para produzir conteúdo crítico ao padrão de beleza, voltado a mulheres.
Foi assim que chegou a uma tendência no TikTok segundo a qual quem veste 38 ou 40 não é magra, mas gorda ou de “corpo médio”, o chamado mid-size. Gravou então um vídeo para perguntar de onde saiu a ideia de que o corpo da brasileira típica estaria fora da magreza, e lembrou que os números hoje celebrados, 34 e 36, só cabem em quem é pequena por natureza.
Citou ainda outra moda recente, a de mulheres que comemoram ter achado roupas na seção infantil.
Sabia que o vídeo viralizaria e que chegaria também a quem pensa o contrário. Vieram comentários dizendo que ela precisava aceitar que estava acima do peso, que o percentual de gordura era alto, que provavelmente tinha obesidade.
Carol separa os conceitos: ser gorda descreve uma característica física, e obesidade é uma condição clínica, diagnóstico que, afirma, não se aplica a quem está na faixa de peso normal. Para ela, o veredito de obesidade dado a quem está na faixa de peso normal mostra o tamanho da distorção de quem o emitiu: um olhar tão descolado da realidade que já não reconhece um corpo saudável quando o vê.
Ela diz ter se preparado e não se abalou, porque conhece bem o próprio corpo. O efeito sobre outras mulheres foi diferente. Pacientes e amigas lhe escreveram aflitas, e várias seguidoras comentaram no vídeo que, se diziam aquilo dela, imaginavam o que diriam delas. Algumas se xingaram na própria publicação.
“Se fizeram isso com uma mulher lida como magra, que treina e tem a barriga definida, o que será que essas mulheres passaram a pensar de si mesmas?”, questiona Carol. No consultório, ela vê o desdobramento: bulimia, compulsão alimentar e anorexia de volta com força, e mulheres magras que chegam querendo emagrecer ainda mais. (Com informações do portal g1)