Quinta-feira, 23 de Abril de 2026

Home Acontece Doctor Clin impulsiona leitura nas escolas no Dia Internacional do Livro

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Em um país onde o acesso ao livro ainda é determinado por desigualdades históricas, iniciativas que ampliam bibliotecas escolares assumem um papel que vai além da educação — tornam-se instrumentos diretos de enfrentamento social. A atuação da Doctor Clin em Porto Alegre, por meio do projeto Pró-Biblioteca III, evidencia esse movimento ao mesmo tempo em que expõe uma fragilidade persistente: a ausência de uma política pública robusta e contínua de formação de leitores no Brasil.

A escolha de 23 de abril, Dia Internacional do Livro, instituído pela UNESCO, reforça o simbolismo da ação. A data, que celebra o poder da leitura em escala global, contrasta com a realidade brasileira, onde o hábito ainda não é plenamente consolidado. Em Porto Alegre, a entrega de novos acervos a escolas públicas conecta esse cenário internacional a uma urgência local.

O Pró-Biblioteca III surgiu a partir de um diagnóstico recorrente em escolas públicas: acervos desatualizados e pouco atrativos, com impacto direto no interesse dos alunos pela leitura. Desde 2018, o projeto já distribuiu mais de 620 acervos em todo o Brasil, consolidando-se como uma das iniciativas mais consistentes no incentivo à leitura. Atualmente, atende cerca de 60 instituições, com prioridade para o Rio Grande do Sul, oferecendo coleções com mais de 30 gêneros literários, pensadas para ampliar o repertório e estimular o hábito de leitura desde cedo.

Nas escolas contempladas em Porto Alegre, cada unidade recebeu 250 títulos de literatura infantojuvenil, com curadoria especializada e diversidade temática, incluindo obras voltadas à sustentabilidade. A proposta responde a um problema estrutural da educação básica. “É sempre importante renovar e atualizar, porque o mundo é muito dinâmico. As crianças acabam não tendo tanto estímulo para leitura, então a escola é o primeiro lugar para isso”, afirma o vice-diretor Carlos Alberto Bernardes, ao destacar o impacto direto da renovação dos acervos.

Os dados mais recentes da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil ajudam a dimensionar o desafio. O levantamento aponta que 47% dos brasileiros leram apenas um livro no último ano, evidenciando um cenário de baixo engajamento com a leitura. A média anual gira em torno de 2,5 livros por habitante, número que cai quando se excluem leituras obrigatórias. Entre os fatores apontados estão os impactos da pandemia, o fechamento de livrarias e até eventos climáticos extremos, que afetaram diretamente o acesso ao livro.

No cotidiano escolar, no entanto, o impacto da iniciativa é imediato. “Eu gostei muito de ler Viagem ao Centro da Terra, porque é muito legal a viagem que eles fazem dentro da Terra”, relata o estudante Gabriel Aguete, de 10 anos, evidenciando como o contato com novos títulos desperta interesse e identificação. Esse vínculo direto com a leitura é considerado decisivo para a formação de leitores.

Em contextos de maior vulnerabilidade, o alcance da ação se amplia. Em escolas atingidas por enchentes no Rio Grande do Sul, a reconstrução dos acervos representa mais do que reposição material. “Estamos começando do zero a construção do nosso acervo. Perdemos tudo com a enchente, inclusive a biblioteca. Reconstruir esse espaço é essencial”, afirma a diretora Anemarie Rucker, ressaltando o papel simbólico e pedagógico da leitura na retomada das atividades.

Quando comparado a países que mantêm políticas estruturadas de incentivo à leitura, o Brasil ainda avança de forma fragmentada, muitas vezes dependente de iniciativas pontuais. Nesse cenário, projetos como o Pró-Biblioteca III se destacam pela continuidade, mas também expõem uma contradição: o protagonismo da iniciativa privada cresce na mesma medida em que persistem lacunas no investimento público.

A participação da Doctor Clin reforça essa dinâmica. “Ler ajuda a desenvolver o cérebro, a criatividade e é fundamental nessa fase da vida. Para nós, é muito gratificante fazer parte disso”, afirma o assistente de marketing Leonardo da Silva Sartório. A fala evidencia que o investimento em leitura vai além da responsabilidade social — trata-se de um compromisso com o desenvolvimento humano.

Ao ampliar bibliotecas escolares, a Doctor Clin contribui diretamente para transformar trajetórias. Mas o impacto mais profundo da iniciativa talvez esteja no que ela revela: em um país onde o acesso ao livro ainda não é plenamente garantido, cada novo acervo não representa apenas uma coleção de obras — representa a abertura concreta de oportunidades e a tentativa de reverter, página por página, um déficit histórico de leitura. (Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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