Terça-feira, 02 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de junho de 2026
O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (2) em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,0088, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em alta de 1,16%, aos 174.198 pontos. Os investidores acompanharam os desdobramentos da proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, além das tensões geopolíticas envolvendo Washington e Teerã.
No mercado de câmbio, a moeda norte-americana ampliou as perdas recentes e acumula queda de 0,67% na semana e no mês. No ano, o recuo já chega a 8,74%.
Já o Ibovespa manteve o movimento positivo observado nas últimas sessões. O índice acumula avanço de 0,24% na semana e no mês, enquanto a valorização em 2026 alcança 8,11%.
A principal preocupação dos investidores segue sendo a proposta apresentada pelo governo do presidente Donald Trump para aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A medida foi anunciada após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos, que acusa o Brasil de adotar políticas consideradas prejudiciais a empresas americanas.
Apesar da repercussão, a tarifa ainda não entrou em vigor. O governo norte-americano abriu um período de consulta pública antes de tomar uma decisão definitiva. A expectativa do mercado é de que a definição ocorra nas próximas semanas, possivelmente até meados de julho.
A investigação foi conduzida com base na chamada Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, instrumento utilizado para contestar práticas consideradas desleais por parceiros comerciais.
Entre os principais questionamentos apresentados por Washington está o funcionamento do Pix. Segundo as autoridades americanas, o sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central favoreceria empresas nacionais em detrimento de companhias estrangeiras que atuam no setor financeiro digital.
Os Estados Unidos também criticam decisões da Justiça brasileira que determinaram a remoção de conteúdos e a suspensão de contas em plataformas digitais americanas, alegando possíveis impactos sobre empresas de tecnologia sediadas no país.
Outro ponto de divergência envolve acordos comerciais firmados pelo Brasil. O governo americano argumenta que determinados produtos oriundos de países como México e Índia recebem tratamento tarifário mais favorável do que mercadorias exportadas pelos Estados Unidos.
O relatório elaborado pelas autoridades americanas ainda aponta críticas à política brasileira para o etanol, à proteção da propriedade intelectual, à lentidão na concessão de patentes, especialmente no setor farmacêutico, e ao combate à pirataria e à falsificação de produtos.
Além disso, os Estados Unidos afirmam que o Brasil não adota medidas suficientes de combate à corrupção e ao suborno, além de apontar falhas na aplicação da legislação ambiental e no enfrentamento ao desmatamento ilegal.
No cenário internacional, os investidores também monitoraram a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Os dois países voltaram a trocar ataques na segunda-feira, ampliando as incertezas sobre uma possível solução diplomática para o conflito e aumentando a cautela dos mercados globais.
Mesmo diante desse cenário, os ativos brasileiros tiveram desempenho positivo, refletindo a expectativa de que as negociações entre Brasília e Washington possam evitar a implementação das tarifas e reduzir os impactos sobre as exportações nacionais.