Segunda-feira, 12 de Outubro de 2026

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Dono da maior bancada na Câmara dos Deputados a partir do ano que vem, o PL conseguiu a maior taxa de reeleição e ampliou a votação de seus parlamentares em 2026 combinando discurso ideológico e maior acesso a recursos públicos, como o fundo eleitoral e emendas parlamentares. Levantamento do portal O Globo aponta que, dos 121 deputados eleitos pelo partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, cerca de metade, 63, já estava na Câmara no mandato atual — outros sete nessa situação não conseguiram se reeleger, o que dá um aproveitamento de 90% à bancada da legenda.

A maioria dos bolsonaristas reeleitos obteve mais votos neste ano do que em 2022, em paralelo a uma redução das cadeiras ocupadas pelo Centrão e por parlamentares ligados a igrejas, o que torna o partido o de maior bancada na Casa em quatro décadas.

Os nomes do PL com aumentos expressivos de votação incluem Nikolas Ferreira (MG), André Fernandes (CE) e Julia Zanatta (SC), que representam a linha de frente do bolsonarismo nas redes sociais. Além dos seguidores no mundo digital, a caminhada do trio à reeleição foi turbinada com emendas parlamentares individuais, de execução obrigatória. O PL também injetou recursos nas campanhas de Zanatta e Fernandes, que receberam, respectivamente, o dobro e o sêxtuplo de verba do fundo eleitoral neste ano, na comparação com o pleito passado. Nikolas não utilizou o fundo nas duas campanhas.

Grupo pré-Bolsonaro

As urnas também reelegeram nomes do PL pré-Bolsonaro, como Altineu Côrtes (RJ) e Luiz Carlos Motta (SP), que combinaram o apoio à campanha de Flávio com um perfil de mais articulação na Câmara. Altineu, que foi líder do partido na Casa em 2023, apadrinhou mais de R$ 235 milhões em emendas nos últimos três anos, o triplo do registrado por deputados de perfil mais bolsonarista. Motta, que foi relator do Orçamento de 2024 e agora defende o fim da escala 6×1, na contramão do partido, também manejou um volume maior de emendas do que a média dos colegas. Ambos tiveram variações sutis, para cima, nas suas votações.

Já outros parlamentares com atuação menos bolsonarista, como Lincoln Portella (MG) e Rosana Valle (SP), perderam votos. Este também foi o caso de integrantes da bancada evangélica no partido, como Cezinha de Madureira (SP), Ismael dos Santos (SC) e Priscila Costa (CE), que não conseguiram se reeleger. No primeiro turno, lideranças de igrejas como a Assembleia de Deus de Madureira, à qual Cezinha pertence, e a Assembleia de Deus Ministério do Belém, que tem relação com Ismael e Priscila, não declararam apoio a Flávio.

Para o ex-deputado Major Vitor Hugo, que chegou a ser líder do governo Jair Bolsonaro em 2019, pelo extinto PSL, e agora volta à Câmara pelo PL, a bancada bolsonarista cresceu neste ano devido a uma insatisfação de parte do eleitorado com a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e com as condenações de pessoas envolvidas no 8 de Janeiro.

— Nesse contexto, quem se candidatou pelo PL tinha que ter um alinhamento mais claro com as pautas da direita. Quem ficou com um perfil mais de centro perdeu voto — afirma o deputado eleito.

Bagagem política

Assim como Major Vitor Hugo, mais de um terço, 47, dos deputados eleitos pelo PL neste ano não haviam concorrido à Câmara em 2022. Entre os novos deputados do partido, há tanto nomes de perfil mais bolsonarista que foram os mais votados em seus estados — casos do vereador paulistano Lucas Pavanato e do deputado estadual Lucas Polese (ES) —, como ex-prefeitos que tiveram votações intermediárias, tendo o antigo município que governavam como seu principal reduto.

No Rio, a bancada do PL na Câmara passará a contar com os ex-prefeitos de Campos, Wladimir Garotinho; de Saquarema, Manoela Peres; e de Resende, Diogo Balieiro. Outro representante da bancada fluminense, o deputado eleito Filipe Poubel avalia que o partido combinou a defesa de bandeiras da direita com a capacidade de fazer entregas concretas. Diferentemente da bancada eleita pelo PSL no governo Bolsonaro, em que vários nomes não tinham bagagem prévia no Legislativo, Poubel cita agora exemplos de eleitos com discurso mais à direita no Rio, como ele próprio, Douglas Gomes e Rafael Satiê, que irão a Brasília mais “calejados” após mandatos de vereador e deputado estadual.

— Vejo uma bancada mais amadurecida. No futuro governo Flávio Bolsonaro, vamos ter maior capacidade de fazer uma base sólida, sem repetir brigas internas do passado. E se for o contrário (governo Lula), o que não acredito, vai ser tiro, porrada e bomba — diz Poubel. (Com informações do portal O Globo)

 

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