Segunda-feira, 12 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de outubro de 2026
É excelente notícia o aumento da presença feminina no Poder Legislativo. No último dia 4, foram eleitas 109 deputadas federais, 12 senadoras e 218 deputadas estaduais — um aumento expressivo em relação aos resultados de eleições anteriores. É verdade que a participação feminina nas Casas Legislativas ainda fica bem aquém da proporção delas na população (51,5%), mas o avanço tem ocorrido de forma consistente, revelando a eficácia da exigência de que os partidos reservem pelo menos 30% de suas candidaturas a mulheres.
Pela primeira vez, elas conquistaram mais de cem vagas e representarão 21% das 513 cadeiras da Câmara de Deputados (ante 45 em 2010, 51 em 2014, 77 em 2018 e 90 em 2022). No Senado, as 12 eleitas representam 22% das 54 vagas em disputa e, mais uma vez, houve crescimento (foram quatro em 1994, oito em 2003, sete em 2010 e em 2018, anos em que houve renovação de dois terços). Com os resultados, a bancada feminina na Casa passará de 15 para 18. Nas Assembleias estaduais, elas alcançaram 21% das 1.059 cadeiras em disputa, 27 a mais que em 2022.
É significativo também que mulheres tenham sido as candidatas mais votadas para a Câmara em sete das 27 unidades da Federação: Socorro Neri (PP-AC), Coronel Fernanda (PL-MT), Camila Jara (PT-MS), Natália Bonavides (PT-RN), Júlia Zanatta (PL-SC), Yandra Moura (União-SE) e Professora Janadi Valcari (Republicanos-TO). Os estados que mais elegeram deputadas federais foram São Paulo (15), Minas Gerais (11) e Rio de Janeiro (10), justamente os três maiores colégios eleitorais. De São Paulo veio a campeã de votos: Erika Hilton (PSOL), que recebeu 1,6 milhão para seu segundo mandato, terceira maior votação nacional nas candidaturas à Câmara. O Distrito Federal elegeu duas senadoras: Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL.
É verdade que, nas Assembleias Legislativas, o avanço feminino ainda é desigual. Elas serão 30% no Ceará e em São Paulo, 29% no Rio Grande do Norte, mas apenas 8% em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Amazonas. No Acre, nenhuma deputada estadual foi eleita. Mas isso quer dizer que é preciso avançar ainda mais.
O aumento das bancadas femininas se dá em todos os matizes do espectro partidário. As eleitas representam um amplo arco de partidos, da direita à esquerda. Nada mais saudável à democracia. Não importa que pautas defenderão. A política é grande o suficiente para abrigar todas as ideias. Independentemente de suas convicções políticas, religiosas ou de costumes, é certo que contribuirão para enriquecer o debate num país plural.
Não é razoável que as mulheres conquistem espaço no mercado de trabalho e em outras tantas áreas e ainda mantenham representatividade tão baixa no Legislativo. O ideal seria que sua presença espelhasse o conjunto da sociedade. De qualquer forma, é um alento que os partidos abram mais espaço à participação feminina — não só para cumprir a legislação — e que os eleitores estejam mais dispostos a votar nelas. O avanço precisa continuar. (Com informações do portal O Globo)