Sexta-feira, 04 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de setembro de 2026
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) defendeu nesta sexta-feira (4) uma investigação sobre a suposta negociação de propina envolvendo seu candidato a vice, Gilberto Kassab (PSD), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Durante sabatina promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL, Caiado afirmou que todas as informações relacionadas ao caso devem ser tornadas públicas, mas ressaltou que Kassab já negou qualquer irregularidade.
A acusação foi apresentada por Vorcaro em uma proposta de delação premiada que acabou rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Segundo o ex-banqueiro, R$ 5 milhões destinados às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022 teriam origem em uma negociação envolvendo Kassab.
De acordo com o relato de Vorcaro, os recursos seriam uma contrapartida para garantir a continuidade do Credcesta, cartão de crédito consignado operado pela PKL One Participações, empresa associada ao grupo Master, junto ao governo de São Paulo.
Caiado afirmou que não pretende impedir a apuração das denúncias e defendeu a quebra dos sigilos relacionados ao caso. Para o candidato, a divulgação das informações é necessária para que a sociedade possa avaliar o envolvimento de autoridades e candidatos.
“Em primeiro lugar, tem que abrir todas as informações, e tanto ele [Kassab] quanto o Tarcísio já negaram”, afirmou.
O candidato também disse que a Polícia Federal já reuniu elementos sobre as relações e comunicações entre os envolvidos e defendeu que os dados sejam analisados para verificar a consistência das acusações.
Kassab nega ter participado de qualquer negociação irregular com Vorcaro. Tarcísio também rejeitou as acusações e afirmou que as doações recebidas durante a campanha de 2022 seguiram a legislação eleitoral. Os valores foram repassados oficialmente por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
A proposta de delação de Vorcaro foi recusada pelas autoridades por falta de fatos novos e elementos considerados suficientes para justificar a colaboração. O ex-banqueiro está preso desde março e tenta firmar um novo acordo de delação.
Durante a sabatina, Caiado também voltou a defender a abertura dos sigilos de outras investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo os casos relacionados ao Banco Master e às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O candidato ainda criticou a atuação do STF e defendeu uma reforma no Judiciário. Entre as propostas apresentadas estão a criação de idade mínima de 60 anos para ministros da Corte, além de quarentena para magistrados que deixarem o tribunal. Caiado também defendeu que ex-ministros aguardem oito anos antes de disputar cargos eletivos.