Domingo, 19 de Abril de 2026

Home Brasil Em março, a China absorveu 65% das exportações de petróleo do Brasil

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Em meio à dificuldade de importar petróleo do Oriente Médio, a maior preocupação da China com a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã tem sido a segurança energética, diz Tom Reed, vice-presidente de China, petróleo e derivados da consultoria Argus. Para Reed, a guerra levou diversos países, inclusive a China, a perceberem com mais clareza os efeitos da dependência do petróleo originado do Golfo Pérsico e, por consequência, a buscar novas alternativas de suprimento.

“A China está preocupada com a segurança energética interna. Pequim baniu as exportações de combustíveis no início de março, incluindo combustível de aviação, o que levou a uma disparada dos preços na Ásia”, disse o especialista da Argus.

A China só abriu exceções para Laos e Camboja. A suspensão de vendas externas para o resto do mundo deixou os combustíveis mais baratos no mercado chinês, segundo o analista. “Os mercados de querosene de aviação na Ásia são especialmente vulneráveis à perda de suprimento da China, uma vez que o país é o maior exportador regional desse combustível. Os preços do querosene de aviação em Cingapura, por exemplo, estão US$ 86 por barril acima das cotações na China, ou mais de US$ 200 por barril, comparado a cerca de US$ 80 um ano atrás.”

A China também tem pressionado empresas do país a reduzirem vendas de fertilizantes ao exterior, segundo as agências Reuters e Bloomberg, mas não houve um anúncio oficial.

O petróleo do Oriente Médio atende a cerca de 45% da demanda chinesa, segundo Reed. “A maior dependência da China é a importação de nafta [produto derivado de petróleo] e GLP [gás liquefeito de petróleo] para abastecer a indústria petroquímica, um setor muito forte para a economia do país.”

A nafta é um importante insumo para a indústria petroquímica, que usa essa matéria prima para produzir plásticos. Reed disse que ainda que o setor petroquímico tenha se fortalecido na China nos últimos anos, a demanda global é alta o ano todo, sem picos sazonais: “Os petroquímicos estão presentes em vários elos da cadeia consumidora. Se reduzir a oferta, esse também pode ser um fator que acelera a inflação”, afirmou.

Por ser exportador de petróleo, o Brasil tem se beneficiado do cenário de dificuldade no Oriente Médio. Pequim absorveu 64,6% de toda a exportação de petróleo brasileira em março, segundo dados Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A exportação de petróleo para a China em março alcançou US$ 3,1 bilhões, alta de 111% ante igual período do ano anterior.

“Por necessidade, países em todo o mundo estão se movimentando para assegurar suprimento ainda disponível, dado que a crise em Ormuz reduziu as exportações de petróleo do Oriente Médio em aproximadamente 12,5 milhões de barris por dia. Os chineses têm procurado petróleo no Brasil e no Oeste do continente africano. Mas agora há uma competição maior por essas cargas, especialmente por parte da Europa. Com isso, os preços têm disparado. Os chineses têm buscado ainda produtos mais baratos, como o russo, ou até mesmo o iraniano”, disse Tom Reed.

Segundo o especialista, Pequim tem resistido aos pedidos de empresas para uso dos estoques emergenciais, diferentemente do que ocorre em outros países. “Estamos vendo uma disputa entre regiões dependentes de importação, como Europa e China, que estão tentando superar umas às outras nos lances por cargas no mercado à vista, enquanto buscam substitui suprimentos do Oriente Médio.”

Conforme a Agência de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês), com o fluxo do Estreito de Ormuz ainda limitado, Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Catar e Bahrein suspenderam a produção de 7,5 milhões de barris por dia de petróleo em março. A EIA estima que, em abril, esse volume alcance os 9,1 milhões de barris por dia.

“Nesta perspectiva, partimos do princípio de que o conflito não se prolongará para além de abril e que o tráfego pelo Estreito de Ormuz será gradualmente retomado”, afirmou a agência americana em relatório de 7 de abril. “Sob essas premissas, esperamos que as suspensões de produção caiam para 6,7 milhões de barris por dia em maio e retornem a níveis próximos aos pré-conflito no final de 2026.”

Em 9 de abril, o Irã passou a cobrar um pedágio equivalente a cerca de US$ 1 por barril nas cargas que passam pelo Estreito de Ormuz. Dias depois, os americanos reagiram bloqueando cargas que saem dos portos iranianos.

Segundo Tom Reed, as negociações de paz estão em andamento, mas é difícil ver como as partes podem encontrar pontos em comum: “Nos mercados de petróleo, essencialmente nada mudou. O tráfego de cargas pelo Estreito de Ormuz continua mínimo e os preços no mercado físico permanecem muito pressionados. É provável que americanos e iranianos estejam buscando uma saída dessa situação caótica. Com informações do portal Valor Econômico.

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