Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

Home Rio Grande do Sul Em seis meses, resíduos retirados por dragagem nos arroios de Porto Alegre somam 21 piscinas olímpicas

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Desde o início do ano, os trabalhos de dragagem realizados pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) em arroios de Porto Alegre permitiram a retirada de aproximadamente 53 mil metros-cúbicos de resíduos acumulados. O volume equivale a 21 piscinas olímpicas, conforme balanço divulgado nessa quarta-feira (17) pela prefeitura.

Na Zona Sul os locais incluem os arroios Rincão e do Salso, além das bacias de detenção abertas da Moradas do Sul, dentre outros. Já a Zona Norte teve atividades concentradas nos canais dos pôlderes de números 9 e 10, bem como nos arroios Passo das Pedras e Santo Agostinho. O serviço é permanente e continuará em outros cursos d’água até o final do ano.

Para quem não está familiarizado ao termo, “pôlder” consiste em terreno localizado em região baixa, plana alagável e acompanhada de diques e de sistema complexo de drenagem e bombeamento da água. O objetivo é evitar a invasão das águas em locais urbanizados ou usados para agricultura, por exemplo.

“A dragagem é um trabalho silencioso mas fundamental para o funcionamento do sistema de drenagem”, explica o diretor de Proteção Contra Cheias e Drenagem Urbana do Dmae, Alex Zanoteli. “Por meio desta atividade, ampliamos a capacidade de escoamento da água dos principais arroios e reduzimos o risco de transtornos causados por chuvas intensas”.

Os serviços de dragagem e desassoreamento foram retomados pelo Dmae em janeiro de 2022. Somente no ano passado, mais de 142 mil metros-cúbicos de resíduos foram retirados dos cursos d’água internos da capital gaúcha – volume equivalente a cerca de 57 piscinas olímpicas.

 

Nesta semana, o Dmae definiu que o consórcio Eurosinos será o responsável pela execução das obras imediatas de proteção contra cheias na Zona Norte. As intervenções, na área entre os bairros Anchieta e Sarandi, terão início logo após a emissão da ordem de serviço, prevista para os próximos dias.

Formado pelas empresas Eurovia Construtora e Bombas Sinos, o consórcio apresentou a proposta de menor valor no certame: R$ 24,2 milhões. O preço representa deságio de 12,3% em relação ao valor de referência da contratação. A habilitação administrativa e técnica ocorreu durante a tarde, em análise conduzida por diferentes equipes do corpo técnico do Departamento.

A obra será integralmente financiada pelo Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), administrado pelo governo gaúcho. Mais de R$ 47 milhões estão disponíveis, valor que contempla obras, compra de geradores, eletrocentros e bombas flutuantes de alta capacidade, que já estão em fase avançada de aquisição.

Anunciadas em coletiva de imprensa no fim de abril, as intervenções propostas pelo Município garantirão proteção à área dos pôlderes 7 e 8, incluindo o entorno do Aeroporto Internacional Salgado Filho.

Um dique com 100 metros de extensão será construído entre o Arroio Passo das Pedras e o Rio Gravataí, além de um sistema móvel de fechamento das galerias que ligam o Arroio Areia ao manancial. Conforme estudo elaborado pelo Dmae em parceria com consultores especializados, a obra não terá impacto relevante nos municípios vizinhos, com potencial de elevar em menos de 1 centímetro o nível das águas nas demais cidades da bacia.

Na prática, a iniciativa antecipa a primeira etapa do projeto de proteção da bacia do Rio Gravataí, liderado pelo Governo do Estado. A prefeitura estuda alternativas para a área desde 2025, com o objetivo de acelerar medidas capazes de ampliar a proteção da Capital em caso de novas cheias.

Nos últimos meses, a necessidade de intervenções imediatas para proteção dos pôlderes 7 e 8 motivou a intensificação do diálogo com os governos estadual e federal, além de órgãos de controle e do sistema de Justiça, incluindo o Tribunal de Justiça, o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado.

Novo projeto – O Dmae também propôs aos governos estadual e federal uma mudança na concepção das próximas etapas do projeto para os pôlderes 7 e 8. Se aprovada, a proposta incluirá a construção de uma grande bacia de amortecimento permanente e de duas novas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps).

(Marcello Campos)

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