Domingo, 16 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 16 de agosto de 2026
Marinheiros a bordo do porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln tentaram pular no mar em meio a um destacamento com duração recorde e sem previsão para voltar para casa, segundo o jornal britânico “The Guardian”.
Os incidentes ocorreram em meio a crise de saúde mental causada por um destacamento prolongado decorrente da guerra do Irã, informou reportagem do “Guardian” baseada em relatos de esposas a veículos norte-americanos especializados em questões militares. Ao menos três militares tentaram pular no mar em incidentes separados e foram detidos por outros marinheiros, segundo a apuração.
O USS Abraham Lincoln partiu de San Diego em novembro de 2025 para uma missão no Pacífico programada para durar sete meses. No entanto, o porta-aviões foi redirecionado para o Oriente Médio em janeiro de 2026 em meio à escalada de tensões dos EUA contra o Irã. A embarcação permaneceu na região desde então, sem previsão para retornar para casa —a guerra também não tem perspectiva de ser finalizada.
Com isso, os cerca de cinco mil tripulantes a bordo do USS Abraham Lincoln estão há mais de 250 dias consecutivos no mar, o que é um recorde para um destacamento militar em porta-aviões norte-americano nos tempos modernos.
Condições a bordo
As condições no Abraham Lincoln passaram a ser questionadas publicamente em abril, quando surgiram informações sobre falta de alimentos. Na ocasião, a Marinha classificou os relatos como falsos. Posteriormente, novas denúncias apontaram dificuldades de abastecimento, problemas no sistema de encanamento e deterioração da saúde mental de integrantes da tripulação.
No início de agosto, um marinheiro caiu no mar e foi resgatado. Não foi informado se as autoridades investigam o episódio como uma possível tentativa de suicídio. A Marinha afirmou que não registrou aumento de pensamentos ou tentativas de suicídio a bordo, mas não divulgou números sob a justificativa de preservar informações médicas e operacionais.
Diante da situação, políticos democratas do Congresso exigiram ação do governo Trump. Ao menos cinco congressistas demandaram publicamente que o Departamento de Guerra se posicione sobre o tema.
O senador democrata Richard Blumenthal afirmou na quarta que enviou uma carta ao secretário de Guerra, Pete Hegseth, e ao secretário interino da Marinha, Hung Cao, para expressar “séria preocupação” com o aumento da duração das missões e pedir explicações sobre as condições de vida a bordo do porta-aviões.
“Há relatos generalizados de escassez de itens básicos, contaminação da água, problemas de encanamento, deterioração da saúde mental e preocupações com a segurança no convés”, afirmou ele na carta. Ele adicionou que também foram relatadas “interrupções no sistema postal, que fizeram com que muitos pacotes enviados ao navio ficassem perdidos durante meses no trajeto”.
A própria Marinha reconheceu dificuldades logísticas provocadas pela guerra. Segundo a instituição, as operações militares afetaram centros de abastecimento utilizados pelos Estados Unidos no Oriente Médio, causando interrupções no fornecimento de produtos e na entrega de correspondências. Alimentos passaram a ter prioridade, seguidos por itens de higiene.
Pentágono
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, informou o envio do porta-aviões USS George Washington ao Oriente Médio para substituir o USS Abraham Lincoln e permitir o retorno da tripulação do Lincoln o mais rapidamente possível.
Hegseth, porém, classificou como “deturpados” os relatos sobre a situação dos militares. O Pentágono sustenta que a rotação faz parte da necessidade de substituir tropas e equipamentos mantidos por longos períodos em operação.
A permanência prolongada de porta-aviões americanos no exterior já havia provocado questionamentos antes do caso do Abraham Lincoln. O USS Gerald R. Ford retornou aos Estados Unidos em maio após 11 meses de missão, período em que participou das operações contra o Irã e enfrentou um incêndio que exigiu reparos na embarcação. (As informações são do g1 e CNN Brasil)