Sexta-feira, 04 de Setembro de 2026

Home Política Escândalo Master: ministro Gilmar Mendes pede a retirada de delegados da Polícia Federal de gabinetes do Supremo

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O ministro Gilmar Mendes defendeu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a retirada de delegados da Polícia Federal (PF) que atualmente trabalham nos gabinetes de integrantes da Corte. A proposta está sendo discutida em meio à crise interna provocada pelos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master e pela escalada da tensão entre o ministro André Mendonça e integrantes da cúpula da PF.

Gilmar e Fachin conversaram nessa quinta-feira (3) sobre a crise que se instalou no tribunal após a Polícia Federal identificar Alexandre de Moraes como interlocutor do banqueiro Daniel Vorcaro em mensagens apreendidas durante as investigações. O decano já vinha discutindo a presença de delegados nos gabinetes antes do episódio, mas a controvérsia ganhou novo peso diante dos questionamentos sobre a atuação de policiais que auxiliam diretamente Mendonça nas investigações sob sua relatoria.

A avaliação de Gilmar é que a presença de integrantes da PF nos gabinetes pode criar uma relação inadequada entre investigadores e ministros responsáveis pela condução dos inquéritos. Nos bastidores, um dos questionamentos levantados durante a atual crise é sobre o grau de influência que policiais cedidos podem exercer sobre a condução das apurações.

Atualmente, seis delegados da PF estão cedidos ao Supremo, de acordo com o Portal da Transparência do STF. Quatro trabalham diretamente em gabinetes de ministros e um atua na área de segurança da Corte. André Mendonça conta com dois policiais: Graziela Machado e Thiago Marcantonio. Fábio Shor trabalha com Alexandre de Moraes, assim como Anderson Antonio Ferreira de Souza, enquanto Fábio Lucena está no gabinete de Luiz Fux. Raphael de Mello Batista atua na Polícia Judicial.

Os delegados cedidos pela Polícia Federal aos gabinetes atuam como assessores dos ministros, prestando apoio técnico sobretudo na análise de investigações criminais sob a relatoria dos magistrados. Embora não sejam responsáveis por presidir os inquéritos conduzidos pela corporação, auxiliam os gabinetes na análise de relatórios, diligências e outros elementos produzidos nas apurações.

Segundo o STF, os profissionais que trabalham nos gabinetes exercem atividades de assessoramento de acordo com as atribuições dos cargos que ocupam e as demandas de cada ministro. No caso dos servidores oriundos da Polícia Federal, a Corte afirma que a experiência e o conhecimento técnico desses profissionais podem contribuir em temas relacionados às suas áreas de especialização.

O tribunal ressalta, porém, que esse trabalho não significa que os delegados continuem exercendo dentro dos gabinetes as funções próprias da corporação. “A atuação nos gabinetes não se confunde, por si só, com o exercício das atribuições próprias da Polícia Federal, como a condução de investigações ou a prática de atos de polícia judiciária”, afirmou o STF em nota.

A eventual adoção da medida, portanto, não atingiria apenas Mendonça, que está no centro do atual embate com a Polícia Federal. Também alcançaria o gabinete do próprio Moraes, pivô da crise desencadeada pelas mensagens de Vorcaro, e o de Fux. Dados divulgados anteriormente pelo Supremo apontam a presença desses cinco delegados na Corte.

O tema já havia provocado tensão entre o STF, a Polícia Federal e o governo nos últimos meses. Em junho, o Ministério da Justiça enviou ofícios a mais de 50 órgãos públicos solicitando a devolução de policiais federais cedidos para reforçar o efetivo da corporação no combate ao crime organizado. O Supremo, porém, ficou fora da lista. À época, a justificativa apresentada por integrantes do governo foi evitar prejuízos a investigações em andamento.

A possibilidade de retirada dos delegados já havia causado preocupação especialmente no gabinete de Mendonça. Thiago Marcantonio atua como assessor do ministro desde 2025 e auxilia o magistrado em processos relacionados tanto às fraudes no Banco Master quanto às investigações sobre desvios no INSS. A movimentação do governo para recuperar policiais cedidos chegou a ser interpretada por integrantes da PF e do STF como uma tentativa de atingir a estrutura montada pelo relator para conduzir essas apurações.

A discussão ressurge agora em um contexto mais delicado. Mendonça e a cúpula da PF vêm acumulando divergências sobre a condução das investigações, que se aprofundaram depois que o ministro determinou à corporação que identificasse interlocutores de Vorcaro mencionados no material apreendido. (Com informações do jornal O Globo)

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