Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2024

Home em foco Escritor Salman Rushdie é extubado e apresenta melhoras

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O escritor anglo-indiano Salman Rushdie deixou de respirar por meio de ventilação mecânica após receber múltiplas facadas enquanto falava em uma conferência em Nova Iorque. Ele passou por uma cirurgia e segundo seu agente nos Estados Unidos, Andrew Wylie, ainda não consegue falar.

De acordo com o representante do autor, esfaqueado na última sexta-feira (12), ele apresenta melhora significativa e deve restabelecer o movimento da mão, apesar de os nervos do braço terem sido afetados pelo ataque. Rushdie pode perder um olho, e teve o fígado atingido.

Testemunhas dizem que Rushdie recebeu de 10 a 15 golpes de faca no palco do centro educacional Chautauqua Institution, por um homem que foi detido pela Polícia de Nova York. Um repórter da agência Associated Press testemunhou o episódio de violência e contou que o escritor caiu no chão e o homem foi contido.

Versos satânicos

A obra de Rushdie fez com que ele se tornasse alvo de ameaças de morte no Irã desde a década de 1980. O livro “Os Versos Satânicos” de Rushdie é proibido no país desde 1988. Muitos muçulmanos consideram a história uma blasfêmia. Um ano depois, o falecido líder do Irã, o aiatolá Ruhollah Khomeini, emitiu um edito, pedindo a morte de Rushdie. Uma recompensa de mais de US$ 3 milhões também foi oferecida para quem tirasse a vida dele.

Vivendo sob proteção policial desde então, o escritor anglo-indiano só fez sua primeira aparição pública em 1995, em Londres. Ele já havia sofrido uma tentativa de assassinato, com o envio de um livro-bomba, que explodiu antes e matou o autor do atentado. Apesar de a fatwa ter sido oficialmente encerrada em 1998 pelo ex-presidente iraniano Mohammad Khatami, a perseguição ao autor nunca parou.

Agressão a tradutores

Pelo quatro dos tradutores da obra foram assassinados ou sofreram tentativas de assassinatos. Professor associado de cultura islâmica comparada na Universidade de Tsukuba, em Ibaraki, Hitoshi Igarashi, responsável pela tradução do livro para o japonês, foi esfaqueado até a morte em 1991 no mesmo campus, onde ensinava literatura.

Também em 1991, Ettore Capriolo, o tradutor italiano do livro, foi esfaqueado em seu apartamento em Milão. Capriolo sofreu vários cortes e uma ruptura de tentdão, mas sobreviveu. Em 1993, o editor norueguês do romance, William Nygaard, foi baleado três vezes ao sair de sua casa, em Oslo. O atirador fugiu e deixou Nygaard para morrer, mas ele sobreviveu, após meses de internação.

Autor de mais de cem livros, o escritor turco Aziz Nesin também foi alvo da fatwa em 1993. Nesin, que havia iniciado uma tradução de “Versos satânicos” no início dos anos 1990, foi cercado por uma multidão organizada por fundamentalistas islâmicos no Hotel Madimak, na cidade de Sivas, na Turquia, onde participava de um festival. O hotel foi incendiado e Nesin conseguiu escapar com vida, mas 37 pessoas morreram no incêndio, no episódio que ficou conhecido como Massacre de Sivas.

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