Terça-feira, 24 de Maio de 2022

Home Brasil Estudo brasileiro em parceria com Oxford constatou imunidade contra a ômicron em 90% dos voluntários que tomaram terceira dose com vacina da Pfizer, Astrazeneca ou Janssen

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Estudo feito por pesquisadores brasileiros mostra que a terceira dose das vacinas da Pfizer, AstraZeneca e Janssen protegem contra a variante Ômicron em pessoas que haviam recebido duas doses de CoronaVac. A proteção é significativamente menor caso o booster seja feito também com a CoronaVac. A pesquisa foi encomenda pelo Ministério da Saúde e publicada na revista científica Lancet.

A pesquisa tinha como primeiro objetivo avaliar a resposta imunológica da dose de reforço das quatro vacinas disponíveis no Programa Nacional de Imunizações (PNI) em quem tomou CoronaVac após seis meses. O estudo foi ampliado para avaliar essa reação contra a Ômicron. Participaram 1.240 pessoas, em São Paulo e Salvador.

Todos os voluntários haviam recebido duas doses da vacina de vírus inativado da farmacêutica chinesa Sinovac há seis meses e foram divididos em quatro grupos: um recebeu reforço com o mesmo imunizante e os outros três com imunizantes diferentes (Pfizer, AstraZeneca e Janssen).

As amostras dos participantes foram analisadas com testes validados internacionalmente para se avaliar: primeiro, a resposta imune contra a proteína Spike-IgG e também a proporção desses anticorpos com função de neutralizar o vírus incluindo suas variantes, os chamados anticorpos neutralizantes.

Os resultados mostram que após o reforço com vacina heteróloga (diferente da vacinação primária), 90% dos participantes adquiriam anticorpos neutralizantes contra a Ômicron, estão protegidos, assim, contra doença sintomática grave, hospitalização e morte. Só 35% dos que receberam Coronavac apresentaram capacidade de neutralização contra a variante.

Já em relação à Delta, foram identificados anticorpos neutralizantes em 100% dos participantes que receberam vacinação heteróloga e 80% dos que tomaram CoronaVac.

Além dos anticorpos neutralizantes, os pesquisadores também avaliaram os anticorpos IgG, importantes para se entender a magnitude da resposta imune na defesa do organismo. Foi observada a quantidade de anticorpos IgG antes de receber o reforço e depois: quem recebeu a vacina de Pfizer teve 152 vezes mais anticorpos do que inicialmente, 90 vezes mais quem recebeu AstraZeneca, 77 vezes para Janssen e 12 vezes para quem recebeu a terceira dose também de CoronaVac.

O estudo também avaliou como estava a proteção dos participantes seis meses após terem completado o esquema com a vacina da Sinovac, antes da dose de reforço. Apenas 20% dos adultos entre 18 e 60 anos e 8,9% das pessoas acima de 60 haviam anticorpos neutralizantes detectáveis.

O professor Sir Andrew Pollard, diretor do Oxford Vaccine Group e líder do estudo, considera o levantamento importante para que governos que usam vacinas de vírus inativado, como a Coronavac ou a produzida pela Sinopharm, estabeleçam estratégias de reforço.

“Este estudo mostra que a vacina de vírus inativado Coronavac pode ser reforçada com sucesso com uma variedade de vacinas diferentes, com as respostas mais fortes quando uma de vetor viral ou de RNA são usadas. A prioridade global continua sendo a primeira e a segunda doses, mas este estudo oferece opções importantes para os formuladores de políticas em muitos países onde vacinas inativadas, como Coronavac, foram usadas.”

A pesquisadora, diretora da unidade da Universidade de Oxford no Brasil e responsável pelo estudo no país, Sue Ann Clemens, diz que ele traz evidências científicas pioneiras, atendendo a padrões internacionais de pesquisa, que vão auxiliar na tomada de decisões em saúde pública.

“O Brasil está trazendo uma contribuição para a comunidade cientifica mundial com esses dados. A gente sabe que a imunidade contra a Covid cai com o passar do tempo, mas ela cai em proporção diferente, de acordo com cada vacina. Isso serve para decisões futuras. A segurança da vacina de vírus inativado é muito boa, mas a magnitude da proteção é muito superior com o reforço heterólogo.”

Segundo Clemens, esse estudo se soma a outras pesquisas internacionais que indicam que a vacinação heteróloga aumenta anticorpos neutralizantes e IgG. Para quem recebeu imunização primária com vírus inativado, como a CoronaVac, o melhor reforço é da vacina de RNA mensageiro (como Pfizer), seguido pelas de vetor viral (AstraZeneca ou Janssen). Estudos internacionais, mostram que quem completou o esquema com vetor viral ou RNA, deve receber preferencialmente a de RNA mensageiro como booster. Mas as vacinas de vetor viral também se apresentam como excelentes opções de reforço.

A médica e pesquisadora também reforça a necessidade que o reforço seja dado quatro meses após a segunda dose, especialmente em quem recebeu CoronaVac.

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