Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

Home em foco Ex-presidente dos Estados Unidos chama acusações contra si de “piada” e diz que é alvo de “um dos maiores abusos de poder da História”

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O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou nesse sábado de seus primeiros eventos de campanha desde que recebeu na quinta-feira 37 acusações referentes a sete crimes federais no caso relacionado à retirada de documentos sigilosos da Casa Branca. O primeiro ex-ocupante da Presidência americana a virar réu criminal afirmou que o processo “ridículo e sem embasamento” contra si é uma “piada”, disse que o Departamento de Justiça tenta interferir nas eleições presidenciais de 2024 e voltou a repetir mentiras sobre o pleito de três anos atrás.

O republicano foi primeiro recebido por sua base em Columbus, na Geórgia, uma das principais do estado que foi um dos epicentros da sua malsucedida cruzada para reverter o voto popular em 2020, com gritos de “quatro anos mais! Quatro anos mais”, “EUA” e cartazes de “caça às bruxas”. Em seu pronunciamento de 80 minutos, negou ter cometido qualquer crime e afirmou sem evidências que os democratas são “criminosos” que realizam um “abuso de poder” contra seu maior adversário político.

“As ridículas e sem embasamento acusações contra mim feitas pelo Departamento de Injustiça transformado em arma pelo governo [do presidente Joe] Biden ficará marcado como um dos maiores abusos de poder da História deste país”, afirmou Trump. “Biden está tentando prender seu principal adversário político, que o está derrotando por uma grande margem nas pesquisas, assim como faziam na Rússia stalinista ou na China comunista.”

Ao contrário do que Trump diz, contudo, o agregador de pesquisa RealClearPolitics mostra que se Trump confirmar seu favoritismo e vencer as primárias republicanas, teria menos intenção de voto que Biden no pleito geral. De acordo com o site, hoje o atual presidente tem 45,5% de apoio, contra 43,7% de seu antecessor.

A estratégia do ex-presidente foi retratar o processo contra si como uma ação contra seus apoiadores, apostando no medo e no aprofundamento de uma polarização já enorme entre os eleitores americanos. Voltou a repetir mentiras sobre irregularidades do pleito de 2020, mesmo sem quaisquer evidências de que fraudes sistemáticas determinaram o resultado da eleição.

“Eles estão roubando, são desonestos, são corruptos. Esses criminosos não podem ser recompensados, eles devem ser derrotados”, disse Trump, aplaudido. “No fim, eles não estão vindo atrás de mim, mas atrás de vocês. E eu só estou no caminho. Aqui estou e sempre estarei.”

Trump afirmou que toda vez que voa por um “estado azul” – unidades federativas controladas pelos democratas – recebe uma intimação diferente, referindo-se à pluralidade de imbróglios judiciais em seu caminho. As acusações, disse o ex-presidente, são uma “farsa” do “establishment político corrupto”, antes de declarar que “não tem nada a esconder” e que forneceu os documentos solicitados pela Justiça, algo que os promotores responsáveis pelo caso negam ser o caso.

O tom foi similar ao do segundo discurso de Trump no sábado, na convenção republicana em Greensboro, na Carolina do Norte. Lá, Trump disse que Biden está tentando pôr seu oponente atrás das grades – uma coisa “de país de terceiro mundo”. De acordo com o presidente, as forças querem destruí-lo são “mais fortes do que China, Rússia, Coreia do Norte e Irã juntas”.

“Eles lançam caça às bruxas atrás de caças às bruxas para parar nosso movimento, fazem o possível para distorcer a vontade do povo americano. Chama-se interferência eleitoral o que eles querem fazer agora”, disse o ex-presidente, que voltou a repetir acusações falsas sobre o pleito de 2020. “Nós nunca vimos isso nessa dimensão. O outro lado é completamente desonesto.”

As investigações de mais de um ano comandadas pelo promotor especial Jack Smith constataram que Trump levou ilegalmente consigo ao deixar a Casa Branca materiais sobre “programas nucleares americanos; vulnerabilidades em potencial dos EUA e seus aliados a ataques militares; e planos para possíveis retaliações em resposta a ataques estrangeiros”. As informações sigilosas eram mantidas em “um salão de baile, no banheiro, em um chuveiro, em um espaço de escritório, no seu quarto e em um depósito” em Mar-A-Lago, na Flórida, para onde se mudou depois que deixou Washington.

Por isso, ele responderá por 31 acusações de violar a Lei de Espionagem com a “retenção proposital” de documentos – cada uma referente a um documento sigiloso que armazenava irregularmente. As outras seis são referentes à posse dos materiais, à conspiração para obstrução de Justiça após se recusar a entregá-los mesmo após intimação judicial e às mentiras que contou aos investigadores.

O ex-presidente deverá se apresentar ao Tribunal Distrital Federal de Miami na tarde de terça para ser formalmente notificado das acusações, e convocou seus eleitores para comparecem ao local em demonstração de apoio. Ele é oficialmente o primeiro antigo ocupante da Casa Branca a virar réu criminal na esfera federal, pouco mais de dois meses após tornar-se o primeiro réu criminal na esfera estadual ao ser acusado em um tribunal nova-iorquino.

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