Terça-feira, 14 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 13 de abril de 2026
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve enviar ao Congresso Nacional, até esta quarta-feira (15), um projeto de lei que propõe o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1, segundo apuração do Estadão/Broadcast Político. A definição do prazo está relacionada ao calendário de mobilizações das centrais sindicais, que organizaram um grande ato em Brasília na mesma data.
De acordo com pessoas a par das discussões, o envio do projeto nesse momento específico tem como objetivo dialogar diretamente com o movimento sindical. A iniciativa poderá ser apresentada durante o evento como um sinal de alinhamento do governo com pautas históricas dos trabalhadores, funcionando também como instrumento de fortalecimento político junto às entidades representativas.
A mobilização, chamada de Marcha da Classe Trabalhadora, está prevista para ocorrer na capital federal e deve reunir representantes de diversas categorias. A programação inclui uma concentração em frente ao Teatro Nacional, seguida de uma caminhada pela Esplanada dos Ministérios. Ao final do percurso, os manifestantes pretendem entregar uma pauta de reivindicações ao presidente da República, ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Entre os principais pontos apresentados pelas centrais sindicais estão a redução da jornada de trabalho, o combate à pejotização e o enfrentamento ao feminicídio. Essas demandas fazem parte de uma agenda mais ampla que busca alterações nas relações de trabalho e políticas públicas voltadas à proteção social.
O próprio presidente Lula já havia indicado, ao longo da semana, a intenção de encaminhar a proposta ao Legislativo. Em breve conversa com jornalistas após uma cerimônia no Palácio do Planalto, relacionada à assinatura de um decreto que reduz a jornada de trabalho de servidores terceirizados, ele confirmou o plano. Questionado sobre o envio do projeto ainda nesta semana, respondeu de forma direta: “Vou”.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também comentou o tema e afirmou que a decisão já foi tomada internamente pelo governo federal. Segundo ele, o envio do projeto depende apenas de um alinhamento final entre o presidente da República e o comando da Câmara dos Deputados. “A decisão já está tomada”, disse.
Ainda de acordo com Boulos, a definição da data exata para o encaminhamento do texto está condicionada a uma conversa entre Lula e o presidente da Câmara. A articulação política em torno da proposta ocorre em meio a negociações com diferentes setores e à tentativa de construir apoio no Congresso Nacional.
A expectativa é de que o projeto ganhe visibilidade durante a mobilização sindical e passe a integrar o debate legislativo nos próximos dias, em um contexto de pressão por mudanças nas condições de trabalho e nas políticas voltadas aos trabalhadores. (Com informações de O Estado de S. Paulo)