Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 27 de setembro de 2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que Antônio Carlos “Mineiro” Freixo Júnior, dono do grupo Entre Investimentos, recebeu dinheiro do crime organizado. A empresa tem participação no financiamento do longa-metragem “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro e que teve recursos do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A declaração foi feita durante entrevista sobre a terceira fase da operação “Carbono Oculto”, deflagrada na última quinta-feira (24) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e Receita Federal. O titular da pasta complementou:
“Estamos falando da administradora de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso. Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, de um mesmo bolso.
Ele prosseguiu: “É complicado identificar o que é cada coisa, identificar o que saiu desse fundo, seja para as delações que estão sendo feitas em Brasília ou nas apurações do Supremo ou em São Paulo. Essa empresa recebe dinheiro do crime organizado, ajuda na estruturação e ocultação de patrimônio, sendo entidade-chave na lavanderia do sistema financeiro nacional”.
Ainda conforme Durigan, o dinheiro recebido pela Entre foi utilizado para lavar dinheiro e corromper autoridades: “Estamos falando de um mesmo fundo, de onde dinheiro de diferentes lugares foi parar, seja do Master, seja do crime organizado, seja de figuras que já estão com delação premiada no Ministério Público de São Paulo ou no Ministério Público Federal”.
Antônio Carlos Freixo Junior fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para as investigações do escândalo do Banco Master. Em sua colaboração – já homologada pelo ministro André Mendonça, do STF – ele conta ter efetuado remessas financeiras e obtido dinheiro-vivo para Daniel Vorcaro, do Master.
Saiba mais
O Grupo Entre aparece entre as empresas envolvidas no financiamento do filme “Dark Horse”. Em sua delação, “Mineiro” afirmou ter enviado recursos ao exterior para bancar o filme.
Dentre as suspeitas na mira da ofensiva conjunta está a de que a empresa tenha usado investimentos de fachada e operações financeiras atípicas para movimentar, fragmentar e ocultar recursos. No período de 2021 a 2025, teriam sido movimentados quase R$ 12 bilhões por meio do esquema investigado.
Para o Ministério Público, o volume e o formato das operações indicam possíveis crimes de ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de dinheiro. A terceira fase da operação “Carbono Oculto” cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em sete Estados, totalizando 24 empresas e 13 pessoas físicas.
O foco é a utilização de empresas, fintechs, fundos de investimento e operações financeiras para ocultar quem estaria por trás da aquisição e do controle de uma distribuidora de combustíveis, a Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como “Terrana”. Conforme os promotores paulistas que atuam na apuração, estruturas comerciais teriam sido sobrepostas para esconder o controle da empresa. (com informações da Agência Brasil e Folha de S.Paulo)