Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026

Home Eleições 2026 Flávio Bolsonaro aumenta aposta em promessas que elevam gastos e nega ajuste fiscal com programas sociais

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O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, intensificou o anúncio de promessas que aumentam custos para o governo federal e elevam as incertezas sobre o ajuste fiscal a poucos dias do segundo turno das eleições.

Pressionado pela sequência de medidas eleitoreiras lançadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, Flávio aumentou a lista de promessas com novos benefícios para a população. Lula já lançou R$ 405 bilhões em medidas para tentar a reeleição, conforme o Gastômetro, ferramenta do Estadão.

Procurada, a campanha de Flávio afirmou que o ajuste fiscal será feito pelo lado da despesa, com corte de privilégios e penduricalhos, racionalização de gastos ineficientes e redução de impostos.

Na terça-feira (20), o candidato do PL prometeu ressuscitar o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos). O programa foi desenhado para socorrer empresas durante a pandemia de covid, mas acabou sendo ampliado, e consumiu cerca de R$ 50 bilhões dos cofres públicos.

O governo acabou contemplando influencers e artistas como Felipe Neto, Virgínia Fonseca e Gusttavo Lima e até o iFood com o Perse. Eles usufruíram do benefício porque declaram à Receita Federal exercer atividades que foram enquadradas no programa. Flávio não disse como funcionaria o benefício em seu governo, quanto custaria e nem de onde sairia o dinheiro.

Durante o debate presidencial promovido pela Band e pelo Estadão no domingo (18), o candidato do PL prometeu que o governo federal comprará dívidas nos bancos com descontos para congelá-las por seis meses para pessoas físicas e um ano para empresas, sem cobrança de parcelas no período. O candidato também não apresentou o impacto da medida.

“No meu governo, a gente vai comprar a sua dívida dos bancos”, disse Flávio, dizendo que as taxas de juros vão cair quando ele se tornar presidente da República. “Ao invés de pagar a sua dívida, com esse dinheiro você vai poder ir no mercado, você vai poder passear com a sua família de novo.”

A proposta foi criticada pela equipe econômica de Lula, que anunciou a nove dias do primeiro turno uma medida para comprar dívidas, mas sem congelamento de parcelas no sistema financeiro. Em um vídeo com fundo preto publicado nas redes sociais, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a medida é impossível de ser implementada e provocaria um calote geral.

“Nenhum governo tem o poder de implementar um calote geral na economia que na prática travaria todos os sistemas de crédito”, disse Durigan. Se isso acontecer, de acordo com o ministro, os bancos ficariam sem recursos para conceder novos financiamentos a pessoas físicas, famílias e produtores rurais e nem devolver o dinheiro investido nas instituições.

Flávio mudou de posição sobre o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho e um de descanso). Anteriormente contra – tendo afirmado que a medida era “eleitoreira” e “oportunista” –, ele votou a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 no Senado.

O candidato justificou que tomou a decisão após ouvir as pessoas nas ruas. Aliados e integrantes da campanha sinalizaram a lideranças empresariais que, caso eleito presidente, o senador pretende apoiar a revisão da medida.

No dia da votação, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o partido tentará votar em 2027 a PEC que estabelece o pagamento por hora trabalhada – texto protocolado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN),coordenador da campanha de Flávio, e que até então também era defendida pelo candidato do PL.

“Tesouraço”

Quando fala sobre ajuste nas contas públicas, Flávio tem prometido fazer um ajuste fiscal da ordem de pelo menos R$ 200 bilhões cortando de “regalias”, cargos comissionados, supersalários, viagens e excessos da máquina pública, sem mexer em benefícios sociais.

Em janeiro, o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou a política de reajuste do salário mínimo, que impacta diretamente no valor dos benefícios da Previdência Social, no Benefício de Prestação Continuada (BPC) – pago a idosos e pessoas com deficiência –, no abono salarial e no seguro-desemprego.

Em entrevista ao Estadão, o investidor Marcelo Kayath, que chegou a ser cotado para a equipe econômica em um eventual governo Flávio e mediou um encontro entre o candidato e grandes nomes da Faria Lima, defendeu um esforço fiscal de R$ 200 bilhões, mas de forma gradual, e não em um ano, sem ficar concentrado “nos mais pobres”.

Em entrevista à TV Globo, em declarações posteriores, Flávio negou taxativamente a ideia de congelar o salário mínimo, mexer em benefícios da Previdência Social e mudar os pisos de saúde e educação. Além disso, o candidato garantiu dar reajuste para o programa Bolsa Família. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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