Quinta-feira, 07 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 7 de maio de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse serem “graves” as informações divulgadas nesta quinta-feira (7) sobre a operação da PF (Polícia Federal) que teve como alvo o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
O parlamentar, envolvido no escândalo do Banco Master, é aliado próximo e foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Em nota enviada, Flávio disse acompanhar o caso com atenção e defendeu que os fatos sejam apurados com “rigor e transparência”.
“O senador Flávio Bolsonaro acompanha com atenção e considera graves as informações divulgadas pela imprensa. Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal”, afirmou.
Flávio também elogiou a condução do caso pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a operação. Mendonça foi indicado por seu pai à Corte no final de 2021.
“Confiamos na relatoria do caso Master, conduzida pelo ministro André Mendonça, e esperamos uma ampla apuração”, completou. A manifestação ocorre em meio à repercussão da operação, que levou aliados de Flávio a recalcularem a estratégia política da pré-campanha presidencial, com foco em evitar associação direta com o caso e reavaliar o custo político da aproximação com partidos do Centrão.
A avaliação é que o episódio cria constrangimento em um momento delicado para o pré-candidato do PL, que tenta consolidar apoios de siglas como PP e União Brasil, hoje no centro da disputa entre governo e oposição por alianças regionais e espaço na chapa presidencial de 2026.
Flávio vinha avançando em acordos estaduais com partidos desse bloco e já construiu alianças em diversos estados envolvendo justamente a federação União-PP. Apesar disso, interlocutores afirmam que o avanço da investigação contra Ciro — presidente do PP e um dos principais articuladores políticos da federação — elevou o nível de cautela, especialmente nas discussões sobre a vaga de vice.
Aliados admitem que o episódio reforça resistências já existentes dentro do bolsonarismo mais ideológico à ampliação da influência do Centrão sobre a campanha. A avaliação é que uma associação excessiva com partidos atingidos pela investigação pode gerar mais desgaste que benefícios.
Uma eventual aliança com a federação garantiria a Flávio maior tempo de televisão e acesso ampliado ao fundo partidário. Ao mesmo tempo, nomes ligados ao PP vinham sendo cogitados para compor a chapa presidencial, entre eles a senadora Tereza Cristina (PI) e as deputadas Simone Marquetto (SP) e Clarissa Tércio (PE).
Integrantes da pré-campanha ponderam, porém, que um afastamento brusco também teria custo político, já que PP e União Brasil seguem considerados estratégicos para a construção de palanques estaduais competitivos.
Ex-ministro da Saúde e aliado de Flávio, Marcelo Queiroga reconheceu a proximidade política entre Ciro e o grupo de Bolsonaro, mas buscou delimitar essa relação.
“Ciro é uma pessoa que tivemos proximidade, ele foi ministro do Bolsonaro, mas nunca fez parte do bolsonarismo raiz. Ele vai se defender, tem direito a isso, mas não vejo uma relação direta com Flávio. Quem tem que defendê-lo são os advogados”, afirmou.
A fala reflete a estratégia adotada por aliados do senador: evitar confronto direto com Ciro, ao mesmo tempo em que procuram posicioná-lo fora do núcleo mais próximo do bolsonarismo.
A investigação, autorizada por Mendonça, apura suspeitas de pagamento de vantagens indevidas ao senador em troca de atuação em favor de interesses do Banco Master. Entre os elementos citados pela Polícia Federal está a apresentação de uma emenda para ampliar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), o que, segundo investigadores, poderia beneficiar a instituição financeira. A PF também menciona mensagens que indicariam atuação do banco na elaboração da proposta apresentada por Ciro.