Terça-feira, 28 de Abril de 2026

Home Política Flávio Bolsonaro quer imagem de homem de família; mulher do senador e pré-candidato à Presidência ganha espaço nas redes do marido para tentar atrair voto feminino

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A mulher do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Fernanda Antunes Bolsonaro, tem ganhado mais espaço nas redes sociais do marido. A ideia é reforçar a imagem de que Flávio é simpático às pautas femininas e, com isso, atrair o voto das mulheres na eleição de outubro.

Algumas das publicações têm como cenário a casa da família, numa tentativa de criar identificação com os internautas. No último domingo, 19, por exemplo, o senador compartilhou um vídeo de um minuto e meio em que mostra cenas de sua rotina com Fernanda. “Não é à toa que você é um Bolsonaro moderado. Reeduquei ele”, diz ela, na cozinha, para a câmera.

“Algumas pessoas começam a falar: eu sou um Bolsonaro vacinado”, responde o parlamentar, repetindo o mote de que seria uma versão mais amena do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O senador narra o início do relacionamento com Fernanda. “Quando eu conheci a Fernanda, a gente foi a uma excursão para Arraial d’Ajuda (BA), de ônibus. Em três dias, ela começou a falar que me amava. Foi uma paixão à primeira vista. Eu, com três dias, estava falando ‘eu te amo’”, continua. A publicação havia recebido mais de 560 mil curtidas até a tarde de sexta-feira (24).

O vídeo também mostra interações de Flávio com as filhas, Luiza e Carolina, e constrói a imagem de “homem comum”, que precisa levantar cedo para levar as crianças à escola. “Faço tudo para me organizar para, pelo menos, levar ao colégio ou buscar no colégio todos os dias”, conta Flávio, enquanto prepara café. Em março, o senador também usou uma camiseta com a frase “pai de menina” durante evento na Região Sul.

Desde que anunciou a intenção de concorrer à Presidência, em dezembro, Flávio tem feito publicações sobre Fernanda. “Todos os dias a Fernanda está incrivelmente linda. Mas hoje ela se superou. Prontos para a posse do presidente do Chile”, escreveu o senador em uma legenda em março, quando participou da posse de José Antonio Kast.

Trazer sua mulher para dentro da campanha foi uma estratégia definida por Flávio para tentar driblar a provável ausência de Michelle Bolsonaro em seu palanque e superar a rejeição do eleitorado feminino.

Em janeiro, o pré-candidato já havia, ao lado da mulher, transmitido uma oração no Monte das Bem-Aventuranças e lido trechos bíblicos no Monte Carmelo, em Israel. “Declaramos vida sobre a economia, soluções criativas estão surgindo, a administração alinhada ao reino está aumentando, a provisão está fluindo”, disse o senador no Carmelo, famoso na Bíblia cristã por ser o local onde o profeta Elias teria confrontado os profetas do deus pagão Baal. Na ocasião, o casal segurava uma bandeira do Brasil e também foi batizado no Rio Jordão.

De perfil discreto, com apenas dez publicações no Instagram, Fernanda se identifica como “especialista em ortodontia e ortopedia facial” e conta com 197 mil seguidores na rede social. Em comparação, a atual primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, acumula 2,8 milhões de seguidores. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem ainda mais: 8,2 milhões.

As publicações de Fernanda disponíveis na rede social são, em geral, compartilhamentos do conteúdo de Flávio e começam em 24 de dezembro, três semanas depois de o filho “01” de Bolsonaro anunciar sua pré-candidatura.

Denúncias

Em 2020, Fernanda e Flávio foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, acusados de participarem do esquema de “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O MP afirmou que o casal omitiu, no Imposto de Renda, R$ 350 mil gastos na compra de uma loja da rede de chocolates Kopenhagen. No ano seguinte, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça anulou as provas e, em 2022, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou a denúncia.

Fernanda também foi associada a uma minuta de pedido de asilo político na Argentina para o ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a Polícia Federal, Fernanda constava como a criadora e última autora do documento encontrado no celular de Jair Bolsonaro.

A prática de reforçar a imagem das esposas nas campanhas é comum entre presidenciáveis e foi adotada, por exemplo, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, com Michelle Bolsonaro, e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com Janja.

Michelle Bolsonaro costumava ser vinculada, pela campanha de Bolsonaro, ao apoio à comunidade de pessoas com deficiência auditiva e promovia saudações em Libras em eventos, incluindo cerimônias de posse. A ex-primeira-dama também era presença constante em agendas com evangélicos, como cultos, congressos e encontros religiosos ao longo do mandato e em períodos pré-eleitorais.

Janja era apresentada como uma porta-voz de causas sociais e alguém capaz de dialogar sobre temas como fome, desigualdade e clima, o que gerou críticas de adversários sobre um suposto protagonismo da primeira-dama em eventos internacionais.

Já a ex-primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008), mulher de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), também era retratada como uma figura ligada a ações sociais, mas com um perfil mais sóbrio e discreto. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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