Sexta-feira, 21 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 21 de agosto de 2026
Comandantes das Forças Armadas comemoraram a redução de mais de 70% no número de candidaturas de militares neste ano em relação às eleições de 2022, quando o capitão da reserva Jair Bolsonaro ocupava a Presidência da República. A queda é interpretada dentro da estrutura militar como um sinal de menor envolvimento da caserna na política partidária, em um contexto posterior aos atos de 8 de Janeiro de 2023.
Em 2026 apenas 17 militares solicitaram aos comandos das três Forças licença para se candidatar. O número registrado no pleito de 2022 chegou a 61. Naquele ano, o Exército liderou os pedidos, com 30 militares interessados em disputar as eleições.
O general Tomás Paiva, comandante do Exército, celebrou a baixa adesão política de integrantes da Força no pleito de 2026. A redução ocorre três anos após os atos de 8 de Janeiro, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
A menor participação de integrantes das Forças Armadas na política partidária é vista como um dos indicativos de que a instituição conseguiu “virar a página” e estabelecer maior distanciamento entre a atividade política e os quartéis. O movimento também ocorre em meio aos esforços das cúpulas militares para reforçar a atuação institucional das Forças Armadas e evitar associações da estrutura militar com disputas político-partidárias.
Múcio
O ministro da Defesa, José Múcio, escalado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após os atos de 8 de Janeiro para reconstruir a relação do governo com os militares, também viu com bons olhos a adesão que classificou como “mínima” das três Forças à política neste ano.
Múcio disse a aliados que a baixa participação de militares nas disputas eleitorais representa “a verdadeira pacificação”. A avaliação ocorre em um cenário no qual o governo federal e os comandos militares buscaram, após os ataques de 2023, preservar a relação institucional entre as Forças Armadas e o Executivo.
À época dos atos de 8 de Janeiro, o general Tomás Paiva era comandante militar do Sudeste. Ele assumiu o comando do Exército em 21 de janeiro de 2023, substituindo o general Júlio César de Arruda. Ao assumir o cargo, afirmou que o resultado das urnas deveria ser respeitado. Foi a primeira manifestação pública de um comandante militar desde os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, ocorridos dias antes.
“Vamos continuar garantindo a nossa democracia, porque a democracia pressupõe liberdade e garantias individuais e públicas. E é o regime do povo, de alternância de poder. É o voto. E, quando a gente vota, tem de respeitar o resultado da urna”.
Tomás Paiva também já disse ao Estadão que o Exército não deve ter coloração política e que a instituição deve permanecer afastada de disputas entre correntes partidárias.
“O Exército é de todos, da direita e da esquerda. O Exército brasileiro não pode ter lado”, explicou. “Mesmo quem é contra a gente, a gente vai defender da mesma maneira.” (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)