Quinta-feira, 19 de Maio de 2022

Home Esporte Fórmula 1 volta ao passado para modernizar carros da temporada de 2022

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A Fórmula 1 voltou ao passado para buscar seus carros do futuro. A temporada 2022 vai resgatar ideias e conceitos que fizeram sucesso há 40 anos para melhorar o rendimento dos pilotos nas pistas sem causar a temida turbulência, que atrapalha as ultrapassagens. Pela primeira vez em sua história, a categoria promove mudanças bruscas em seus carros visando o espetáculo. Se tudo sair como a F-1 planeja, o campeonato deste ano será mais equilibrado e agradável de assistir do que os anteriores.

As novidades alteram toda a estrutura dos monopostos, com foco total na aerodinâmica, mas sem descuidar da aparência. Os modelos deste ano são mais bonitos, de traços mais arredondados e suaves. O visual, portanto, será “limpo”, com menos penduricalhos e mais elegância.

“Havia uma suspeita de longa data de que os carros não eram muito ‘amigáveis’ quando estavam correndo um contra o outro. A performance do carro que vem atrás era afetada pelo da frente. Ele começava a perder rendimento quanto mais se aproximava do adversário. E isso não ajuda a fazer uma boa corrida”, explicou Ross Brawn, diretor técnico da F-1 ao jornal The New York Times.

A promessa da cúpula do campeonato é fazer “corridas menos previsíveis e mais espetaculares”. De quebra, as novidades têm potencial para acabar com a hegemonia da Mercedes, que domina a categoria desde 2014, quando foram introduzidos os motores híbridos. A equipe venceu os oito Mundiais de Construtores disputados até então e sete Mundiais de Piloto. O primeiro revés aconteceu no ano passado, com a derrota de Lewis Hamilton diante de Max Verstappen, da Red Bull.

As novidades começaram a ser estudadas em 2017, assim que Ross Brawn se tornou diretor. Foram elaboradas 21 versões do novo modelo com base em 7.500 simulações, dentro e fora do túnel de vento, para chegar ao resultado final. O grande objetivo? Manter ou até mesmo elevar a velocidade atual dos carros sem gerar tanta turbulência, o chamado “ar sujo”, que é gerado por um competidor e é arremessado diretamente contra o carro que vem logo atrás. O ar turbulento diminui a velocidade do piloto de trás, causa instabilidade e impede aquelas disputas mais acirradas que tanto encantam os fãs de automobilismo.

A solução para resolver este problema foi encontrada no passado. Ironicamente, a F-1 está resgatando uma ideia que foi proibida em 1983 pela falta de segurança. Hoje, com mais sistemas de proteção e estabilidade, o conceito de “carros-asa” e “efeito solo” podem ser recuperados sem gerar maiores preocupações.

Retorno dos carros-asa

Não é de hoje que os monopostos de Fórmula 1 são chamados de “aviões sem asa”. O conceito que está sendo resgatado reforça essa ideia. O novo modelo tornou o assoalho do veículo o grande protagonista na busca por maior pressão aerodinâmica, que é o que mantém o carro colado no chão, capaz de gerar maior velocidade. Antes, esse papel cabia aos aerofólios dianteiro e traseiro. O “novo” sistema foi concebido por Colin Chapman no consagrado Lotus-Ford 79. Não por acaso ele era engenheiro aeronáutico.

Recuperando as ideias de Chapman, o assoalho, antes plano, ganhou um novo desenho, com o chamado perfil de asa invertida. Este formato, mais visível nas laterais do carro, usa o mesmo princípio dos aviões. Nas aeronaves, a asa é instalada de forma a criar maior pressão embaixo, permitindo o voo. Nos carros de F-1, acontece exatamente o oposto. A asa é invertida para forçar a pressão de cima para baixo, o famoso “downforce”, que empurra o carro para o chão.

Não será a única mudança no assoalho, que passa a ter buracos formando canais do início ao fim do carro. Eles vãos reduzir a pressão e aumentar a velocidade do ar, naquilo que é conhecido na física como Efeito Venturi. Na prática, esse movimento do ar sob o carro o deixa mais rápido e estável nas curvas, quando geralmente os veículos se distanciam mais um do outro. Agora poderão ficar mais próximos, aumentando as disputas nas pistas.

Dúvidas

As novidades trouxeram consequências inesperadas para pilotos e equipes. A maior delas, causada pelas alterações no chassi, foi o aumento do peso dos carros em 5%. Os veículos terão 38 kg a mais, passando de 752 kg para 790 kg.

A dúvida, portanto, é se os carros ficarão mais lentos neste ano ou se o maior peso será compensado pelo ganho de velocidade com o efeito solo. Na prática, é possível que os carros sejam mais velozes em circuitos com mais curvas de alta velocidade, onde o conceito de “carros-asa” faria maior diferença. No caso do Autódromo de Interlagos, em São Paulo, os monopostos devem fazer voltas mais lentas em comparação a 2021 por não contar com curvas mais velozes.

Há expectativa também sobre como os carros vão se comportar na chuva. Uma pista encharcada poderia amenizar o efeito solo. Eventuais detritos no asfalto também têm potencial para neutralizar a novidade.

A F-1 promete encurtar a distância entre os primeiros e os últimos colocados nas provas. Se em 2021 a diferença entre a Mercedes, vencedora do Mundial de Construtores, e a lanterna Haas era de três segundos em média, neste ano esse número deve cair pela metade. “Esperamos que até o fim de 2022 a diferença caia para um segundo e meio”, confia Nicholas Tombazis, um dos principais diretores da área técnica da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), que trabalhou com a F-1 na elaboração do novo carro.

Brechas

Os novos monopostos vão para a pista pela primeira vez nos dias 23, 24 e 25 deste mês, no Circuito da Catalunha, na Espanha. A segunda bateria de testes da pré-temporada está marcada para 10 a 12 de março, no Circuito de Sakhir, no Bahrein, que vai sediar a primeira prova do ano, no dia 20 do mesmo mês.

Somente aí os fãs de automobilismo vão descobrir se a Mercedes seguirá dominante ou se alguma equipe apresentará ideia surpreendente para sair na frente das demais. Historicamente, sempre houve times que souberam interpretar melhor os regulamentos técnicos. A “brecha” famosa mais recente foi obtida pelo próprio Ross Brawn, em 2009. Na época, ele dirigia sua equipe, a Brawn GP, que tinha Rubens Barrichello como um dos pilotos.

Com longo e vitorioso histórico na Ferrari, Brawn criou o “difusor duplo”, solução aerodinâmica na parte traseira do carro que fez a equipe não apenas sair em vantagem como vencer os dois Mundiais da F-1, o de Construtores e o de Pilotos, com o inglês Jenson Button. A novidade foi copiada por todos os times ao longo da temporada e depois acabou sendo banida.

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