Terça-feira, 25 de Junho de 2024

Home em foco Fornecimento de gás da Rússia para a Europa entra em risco à medida que prazo de pagamento em rublos se aproxima

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A Rússia disse que vai elaborar arranjos práticos até esta quinta-feira (31) para que empresas estrangeiras paguem por seu gás em rublos (moeda oficial russa), aumentando a probabilidade de interrupções no fornecimento, já que os países ocidentais, que atualmente fazem o pagamento em dólares e euros, até agora rejeitaram a demanda de Moscou pela troca de moeda.

A ordem da semana passada do presidente Vladimir Putin de cobrar de países “hostis” em rublos pelo gás russo impulsionou o rublo, que havia caído para um mínimo histórico depois que os EUA e seus aliados europeus impuseram sanções abrangentes contra Moscou por sua invasão da Ucrânia.

“Ninguém vai fornecer gás de graça, é simplesmente impossível, e você só pode pagar em rublos”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres nesta terça (29).

A medida atraiu fortes críticas de países europeus, que dizem que a Rússia não tem o direito de refazer contratos, com os países do G7, grupo que reúne algumas das maiores economias do mundo, rejeitando as exigências de Moscou.

“Essa é uma posição que compartilhamos, que nosso comissário de Energia subscreveu”, disse um porta-voz da Comissão Europeia em uma entrevista coletiva em Bruxelas.

Os preços do gás no atacado na Europa aumentaram nesta semana em meio a preocupações com a interrupção do fornecimento. Apesar das sanções, Moscou até agora cumpriu suas obrigações contratuais de fornecimento de gás para os europeus, que dependem em 40% de fontes russas para seu consumo. As importações ficaram em torno de 155 bilhões de metros cúbicos no ano passado.

Peskov disse que, de acordo com o prazo de 31 de março estabelecido por Putin, “todas as modalidades estão sendo desenvolvidas para que este sistema seja simples, compreensível e viável para compradores europeus e internacionais”.

A União Europeia (UE) está avaliando cenários que incluem a interrupção total do fornecimento de gás russo no próximo inverno, como parte de seu planejamento de contingência para choques de oferta, disse a Comissão Europeia na semana passada.

Impacto nas importações

A demanda de Putin alimentou temores na Alemanha, a principal economia da Europa, sobre grandes interrupções no fornecimento de gás caso as concessionárias não paguem em rublos, e como isso afetaria a indústria e as famílias.

Sem o fornecimento de gás russo, a economia alemã sofreria “danos massivos, que devem ser evitados se possível”, disse o presidente-executivo da E.ON, Leonhard Birnbaum, ao programa de TV alemão Tagesthemen, acrescentando que o país precisaria de três anos para se tornar independente do gás russo.

Dados da Gas Infrastructure Europe mostram que os níveis de armazenamento de gás da UE estão em 26% atualmente, destacando o desafio de substituir a Rússia como fornecedor de energia.

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