Sexta-feira, 14 de Junho de 2024

Home em foco Rússia diz que promessa de desescalada na Ucrânia não significa cessar-fogo

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A promessa da Rússia de reduzir as operações militares em Kiev e no norte da Ucrânia não representa um cessar–fogo, disse nesta terça-feira (29) o principal negociador de Moscou nas conversas de paz com a Ucrânia. Além disso, as negociações sobre um acordo formal com o governo ucraniano “ainda têm um longo caminho a percorrer”.

Mais cedo, negociadores russos se comprometeram a reduzir drasticamente a atividade militar em torno da capital da Ucrânia, Kiev, e da cidade de Chernihiv, no norte, no sinal mais tangível de progresso em direção a um acordo de paz.

“Isto não é um cessar–fogo, mas esta é a nossa aspiração, chegar gradualmente a uma desescalada do conflito, pelo menos nestas frentes”, disse Vladimir Medinsky em entrevista à agência de notícias Tass.

O negociador afirmou que a Rússia deu um segundo grande passo de desescalada ao concordar com uma possível reunião entre os presidentes dos dois países assim que um acordo de paz for alcançado.

“No entanto, para preparar tal acordo em uma base mutuamente aceitável, ainda temos um longo caminho a percorrer”, finalizou.

A nova rodada de negociações entre a delegação russa e os enviados ucranianos começou nesta terça em Istambul, na Turquia, informou a agência oficial turca Anadolu.

Os negociadores foram recebidos antes pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que pediu o “fim da tragédia” da ofensiva russa na Ucrânia, que começou em 24 de fevereiro.

As negociações tentam frear uma guerra que já deixou quase 20 mil mortos e que obrigou 10 milhões de pessoas a abandonar suas casas.

As conversações aconteceram no Palácio de Dolmabahçe, em Istambul, a última residência no Bósforo dos sultões e que também foi a última sede administrativa do Império Otomano, que atualmente abriga escritórios da presidência turca.

No início da sessão, o presidente turco pediu colaboração das duas partes. “As partes têm preocupações legítimas, é possível chegar a uma solução que seja aceitável para a comunidade internacional. A prorrogação do conflito não interessa a ninguém”, afirmou Erdogan, que pediu pressa às delegações.

“O mundo inteiro espera boas notícias”, disse o líder turco aos negociadores.

Segundo Mikhailo Podoliak, auxiliar do presidente Volodymyr Zelensky, a chave para a negociação é o acordo sobre garantias de segurança internacional para a Ucrânia. “Somente com este acordo podemos acabar com a guerra como a Ucrânia precisa”, disse Podoliak no Twitter.

Esse acordo está vinculado ao status de neutralidade que a Ucrânia está disposta a adotar, continuou Podoliak – o que significa que o país não se juntaria a alianças militares ou hospedaria bases militares. Zelensky já havia informado nesta semana que a Ucrânia avaliava “a fundo” adotar esse status. Entretanto, o posicionamento da Ucrânia deve passar por um referendo antes para consultar a população.

As propostas também incluem um período de negociações bilaterais durante 15 anos sobre a anexação da Crimeia e poderiam entrar em vigor apenas no caso de um cessar-fogo completo. Foi a primeira vez desde o início da guerra que a Ucrânia aceitou negociar sobre o território. Já Donbas, território no leste que a Rússia não reconhece como parte do vizinho, pode ser discutida posteriormente entre Zelensky e Vladimir Putin, disse Podoliak.

Após o encontro, o chefe da delegação russa, Medinsky, disse que a Rússia está preparada para acelerar uma possível reunião entre os presidentes Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, assim que um esboço do acordo de paz entre os dois países estiver pronto.

“Após as discussões significativas de hoje [terça-feira], decidimos e propusemos uma solução na qual é possível a reunião dos chefes de Estado simultaneamente, com a assinatura do tratado por parte dos ministros das Relações Exteriores”, disse Medinsky.

“Com a condição de que se trabalhe rapidamente no acordo e se encontre o compromisso necessário, a possibilidade de chegar à paz estará muito mais perto”, acrescentou.

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