Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 10 de setembro de 2026
A PF (Polícia Federal) apontou uma coincidência entre movimentações financeiras envolvendo a Go Up Entertainment, empresa responsável pelo filme “Dark Horse” — cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro —, e o envio de recursos de emendas parlamentares pelo deputado federal Mario Frias (PL-RJ) a ONGs chefiadas por Karina Gama, produtora do filme.
O ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Gama, recebeu R$ 2 milhões em recursos de duas emendas parlamentares de autoria do parlamentar. O relatório da PF, que teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (10), trata de suspeitas de desvios desses recursos.
No relatório, investigadores destacam a natureza das despesas custeadas pela produtora no período do repasse do dinheiro. Apontam suspeitas de que verbas públicas podem ter sido usadas para custear hospedagem em hotel de alto padrão, refeições e pagamentos a outras produtoras ligadas ao filme.
O relatório da PF faz parte da decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou uma operação nesta quinta-feira (10) para o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra Mario Frias, Karina Gama e outros investigados.
Entre as organizações alvos de mandados estão o Instituto Conhecer Brasil e a ANC (Academia Nacional de Cultura), ambos presididos por Karina Ferreira da Gama. Ela também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção da cinebiografia Dark Horse.
O filme “Dark Horse” (termo em inglês para “azarão”) passou a ser alvo de investigações após reportagens revelarem que a produção teria sido financiada por Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Ele está preso em Brasília.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) admitiu ter intermediado as negociações e cobrado pagamentos de Vorcaro — que chegou a repassar cerca de R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso.
Movimentações financeiras
A PF analisou as movimentações financeiras da produtora e identificou que a Go Up Entertainment, responsável pelo filme, movimentou R$ 19.033.071 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, segundo a investigação. Nesse período, a empresa recebeu valores de diferentes remetentes, entre eles o próprio deputado federal Mario Frias.
Segundo a PF, o filme foi gravado em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. O período coincide, em parte, com as movimentações financeiras analisadas pelos investigadores, realizadas entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.
A movimentação financeira também chamou a atenção dos investigadores porque, no mesmo período, uma empresa identificada como NTT Brasil, de Heric Dias, transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment.
O valor é próximo dos R$ 700 mil recebidos pela Dinâmica Editora e pelo Instituto Super Poder Educacional, empresas do mesmo grupo empresarial, por meio do Instituto Conhecer Brasil, que receberam recursos de emendas parlamentares.
Com isso, a PF aponta indícios de que recursos originalmente destinados a contratos executados pelo ICB tenham sido repassados, por meio de contratações com indícios de fraude, a empresas ligadas ao grupo de Heric Dias. Posteriormente, segundo os investigadores, esses valores podem ter chegado à Go Up Entertainment por meio de uma transferência feita pela NTT Brasil.
Pagamentos feitos por Mario Frias
Outro ponto destacado pela investigação é uma transferência de R$ 645,4 mil feita pelo próprio deputado Mario Frias para a Go Up Entertainment. No entanto, a PF aponta que os rendimentos mensais do parlamentar são de R$ 44.008,52.
“Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias”.
Ou seja, a PF questiona se o deputado teria recursos suficientes para justificar as transferências feitas para empresas ligadas a Karina Gama em um período de menos de 60 dias.
O ex-marqueteiro do candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, enviou um repasse de R$ 1 milhão para a Go Up Enterteinment. O relatório do Coaf reproduzido na decisão do ministro Flávio Dino afirma que a empresa movimentou R$ 19 milhões no período analisado, sendo R$ 8,9 milhões a crédito e R$ 10 milhões a débito. Entre os principais repasses estão Marcello e o deputado Mario Frias.