Sábado, 02 de Maio de 2026

Home em foco Governo brasileiro avalia que presidente da Argentina está “quase passando dos limites”

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Os ataques e a postura recente do presidente da Argentina, Javier Milei, geraram irritação entre integrantes do governo brasileiro e incomodaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação no Palácio do Planalto é que Milei está “quase passando dos limites”. Além de voltar a chamar Lula de “corrupto”, o chefe de Estado do país vizinho trocou a reunião de Cúpula do Mercosul, no Paraguai, para vir ao Brasil participar de um fórum internacional de conservadores.

O evento será no fim de semana, sem comunicação oficial da visita ao Itamaraty. Lula está bastante contrariado com as atitudes de Milei, segundo interlocutores, mas tem sido aconselhado a não reagir às provocações. Auxiliares de Lula entendem que o argentino mente quando qualifica Lula como corrupto, pois omite que, após passar dois anos preso, o Supremo Tribunal Federal decidiu anular provas que, na visão da Corte, estavam contaminadas.

Para o Planalto e o Itamaraty, é fundamental, neste momento, evitar uma escalada no clima já ruim entre os líderes das duas principais economias do Mercosul. Até o momento, Lula tem seguido o mandamento de jamais subir o tom mesma proporção do mandatário argentino.

Lula cobrou recentemente um pedido de desculpas do presidente da Argentina. Afirmou que Milei disse “muita bobagem”. Milei devolveu ao afirmar que não iria se desculpar por ter dito a verdade e ainda se queixou de que o petista havia feito campanha para o peronista Sergio Massa nas eleições do ano passado.

Encontro conservador

Colecionando desafetos dentro e fora da América do Sul, Milei se sentirá mais confortável no fórum de conservadores, em Santa Catarina, do que em Assunção, avaliam interlocutores do governo brasileiro. Ao lado de representantes da extrema direita internacional, o argentino terá um palanque favorável.

Se comparecesse à cúpula do Mercosul, o argentino estaria frente a frente não apenas com Lula, mas com o presidente da Bolívia, Luis Arce — a quem acusou de ter planejado a tentativa de um golpe de Estado — e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro.

Existe a previsão, incomum para a tradição diplomática, de que Milei entre no Brasil como turista. Isso, por outro lado, tiraria qualquer tipo de benefício dado a um chefe de Estado, como segurança pessoal.

A previsão é que Javier Milei faça uma palestra durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), que será realizada no fim de semana, em Balneário Camboriú. O argentino deverá se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ausência ‘lamentável’

Perguntada se a ausência do presidente da Argentina na Cúpula do Mercosul afetaria a agenda do bloco, a secretária para América Latina e Caribe do Itamaraty, Gisela Padovan, lamentou.

“A gente lamenta, não é desejável que isso aconteça. Mas o Mercosul tem 33 anos de história, é um bloco consolidado. Não altera nada na cúpula. Mas politicamente é lamentável”, disse.

Padovan afirmou que o fato de Milei ser representado pela chanceler não vai alterar os trabalhos do Mercosul. A agenda dos sócios do bloco, que em breve terá como membro pleno a Bolívia, continua sendo discutida e executada. Ela evitou comentar as recentes críticas de Milei a Lula.

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Os ataques e a postura recente do presidente da Argentina, Javier Milei, geraram irritação entre integrantes do governo brasileiro e incomodaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação no Palácio do Planalto é que Milei está “quase passando dos limites”. Além de voltar a chamar Lula de “corrupto”, o chefe de Estado do país vizinho trocou a reunião de Cúpula do Mercosul, no Paraguai, para vir ao Brasil participar de um fórum internacional de conservadores.

O evento será no fim de semana, sem comunicação oficial da visita ao Itamaraty. Lula está bastante contrariado com as atitudes de Milei, segundo interlocutores, mas tem sido aconselhado a não reagir às provocações. Auxiliares de Lula entendem que o argentino mente quando qualifica Lula como corrupto, pois omite que, após passar dois anos preso, o Supremo Tribunal Federal decidiu anular provas que, na visão da Corte, estavam contaminadas.

Para o Planalto e o Itamaraty, é fundamental, neste momento, evitar uma escalada no clima já ruim entre os líderes das duas principais economias do Mercosul. Até o momento, Lula tem seguido o mandamento de jamais subir o tom mesma proporção do mandatário argentino.

Lula cobrou recentemente um pedido de desculpas do presidente da Argentina. Afirmou que Milei disse “muita bobagem”. Milei devolveu ao afirmar que não iria se desculpar por ter dito a verdade e ainda se queixou de que o petista havia feito campanha para o peronista Sergio Massa nas eleições do ano passado.

Encontro conservador

Colecionando desafetos dentro e fora da América do Sul, Milei se sentirá mais confortável no fórum de conservadores, em Santa Catarina, do que em Assunção, avaliam interlocutores do governo brasileiro. Ao lado de representantes da extrema direita internacional, o argentino terá um palanque favorável.

Se comparecesse à cúpula do Mercosul, o argentino estaria frente a frente não apenas com Lula, mas com o presidente da Bolívia, Luis Arce — a quem acusou de ter planejado a tentativa de um golpe de Estado — e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro.

Existe a previsão, incomum para a tradição diplomática, de que Milei entre no Brasil como turista. Isso, por outro lado, tiraria qualquer tipo de benefício dado a um chefe de Estado, como segurança pessoal.

A previsão é que Javier Milei faça uma palestra durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), que será realizada no fim de semana, em Balneário Camboriú. O argentino deverá se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ausência ‘lamentável’

Perguntada se a ausência do presidente da Argentina na Cúpula do Mercosul afetaria a agenda do bloco, a secretária para América Latina e Caribe do Itamaraty, Gisela Padovan, lamentou.

“A gente lamenta, não é desejável que isso aconteça. Mas o Mercosul tem 33 anos de história, é um bloco consolidado. Não altera nada na cúpula. Mas politicamente é lamentável”, disse.

Padovan afirmou que o fato de Milei ser representado pela chanceler não vai alterar os trabalhos do Mercosul. A agenda dos sócios do bloco, que em breve terá como membro pleno a Bolívia, continua sendo discutida e executada. Ela evitou comentar as recentes críticas de Milei a Lula.

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