Domingo, 17 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 16 de maio de 2026
O filósofo e ex-ministro da Educação da França Luc Ferry, é categórico: inteligências artificiais (IAs) não erram mais. “Há idiotas que passam o tempo todo dizendo que a inteligência artificial comete erros. Isso não é verdade.” No entanto, o francês fez uma ressalva: versões gratuitas da ferramenta podem cometer um erro ou outro.
“Se você usa versões profissionais pagas, que custam aproximadamente US$ 200 por mês, não há erros. Nem em Medicina, nem em História, nem em Matemática. A IA é mil vezes superior, mesmo aos humanos mais inteligentes e cultos”, destacou durante painel no São Paulo Innovarion Week (SPIW).
O renomado filósofo, conhecido por suas interpretações da filosofia kantiana, deu um exemplo próprio: pediu ao ChatGPT que traduzisse 50 páginas da versão alemã de seu livro. A ferramenta levou apenas 4 minutos – e entregou um resultado perfeito. “Não há um erro, não tenho uma vírgula para mudar.”
Entender o real desempenho da IA leva ao segundo ponto: o impacto no mercado de trabalho. Para Ferry, não vivemos uma revolução como foi a da era industrial. Segundo o ex-ministro francês, estamos diante da revolução mais importante da humanidade – e ela guarda características distintas do século 18.
Ao contrário do que aconteceu antes, ele não acredita que novos empregos surgirão. O filósofo rejeita igualmente a tese de que somente empregos automatizáveis serão perdidos nos próximos anos. Por isso, sugere a criação de uma renda mínima universal – que seria obtida por meio de taxas impostas ao uso de robótica e IA. “Defendo a ideia de serviço público – pode ser ler livros para idosos, dar aulas de História.”
Dessa forma, o francês acredita que se evitaria que pessoas entrem no modo “férias eternas” – causando aumento de casos de alcoolismo, divórcio e suicídio. “Seria terrível para as pessoas que não têm uma paixão não fazer nada. Quando a siderurgia morreu na França, as pessoas trocaram o carvão por vinho.”
Deepfakes
Durante a palestra no SPIW, Ferry pediu licença para mostrar um vídeo. A plateia ouviu uma mensagem de parabéns a Ferry pelo trabalho desenvolvido, na voz do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama.
O vídeo, no entanto, não é real: foi feito com deepfake. “Tem de haver uma legislação sobre isso. Uma mensagem abaixo do vídeo avisando que foi feito com inteligência artificial. Isso (vídeo falso do Obama) me fez rir, mas deepfake para arruinar a reputação de alguém tem de parar”, cobrou Ferry. (Com informações de O Estado de S. Paulo)