Sábado, 13 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 13 de junho de 2026
A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou a 0,58% em maio, após marcar 0,67% em abril, disse nesta sexta-feira (12) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Apesar da trégua em relação ao mês anterior, a taxa de 0,58% é a maior para maio em cinco anos, desde 2021 (0,83%). Houve pressão da carestia de parte dos alimentos e da energia elétrica.
A variação de 0,58% também ficou acima da mediana das previsões do mercado financeiro, que era de 0,53%, conforme a agência Bloomberg.
Com os novos dados, o IPCA acelerou a 4,72% no acumulado de 12 meses até maio, depois de marcar 4,39% até abril, apontou o IBGE.
Assim, o índice ultrapassou o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). Isso não ocorria desde outubro do ano passado.
A meta é base para a condução da política de juros do BC. A instituição passou a cortar a taxa Selic em março, mas as recentes pressões sobre a inflação e a piora das expectativas acenderam alerta.
O Copom (Comitê de Política Monetária), ligado ao BC, volta a se reunir na próxima semana para definir o patamar da Selic, que está em 14,5% ao ano. A decisão sai na quarta (17).
Analistas esperam um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, mas não descartam a hipótese de o BC interromper o ciclo de redução já na próxima semana.
“Nossa avaliação é de que o Banco Central deve seguir com mais um corte de 0,25 ponto, mas consideramos plausível que a autoridade monetária avalie uma pausa imediata, dado o quadro bastante complicado da inflação”, disse o economista Carlos Lopes, do banco BV, após a divulgação do IPCA.
A instituição financeira Asa também espera redução de 0,25 p.p. na reunião da semana que vem e manutenção da Selic em 14,25% até o fim do ano. Para Leonardo Costa, economista da casa, o cenário inflacionário segue preocupante para o BC.
Alimentos pressionam IPCA
Entre os nove grupos de bens e serviços do IPCA, o destaque do lado das altas mais uma vez veio de alimentação e bebidas. O segmento teve a maior variação em maio: 1,33%.
O resultado gerou um impacto de 0,29 ponto percentual no índice. Isso significa que os alimentos responderam por metade do IPCA mensal.
Dentro do grupo, a alimentação no domicílio registrou alta de 1,65%. É a maior taxa para meses de maio em 18 anos, desde 2008 (2,27%).
Houve efeito dos aumentos de produtos como batata-inglesa (44,69%), tomate (20,62%), cebola (16,8%) e carnes (1,39%).
“O aumento nestes itens se deve a questões de menor oferta e também há influência do valor do frete por conta da alta dos combustíveis”, disse o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves.
Parte da fala do pesquisador é uma referência aos impactos da guerra no Irã. O conflito pressionou as cotações do petróleo e os preços dos fertilizantes.
Um dos reflexos iniciais no Brasil foi a alta dos combustíveis, incluindo o óleo diesel, que afeta o transporte nas rodovias. Com informações da Folha de S. Paulo.