Sábado, 15 de Agosto de 2026

Home Economia Inflação no País desacelera em julho, mas preço de serviços ainda preocupa

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Indicador oficial da inflação no País, o IPCA teve variação de 0,07% em julho, ante 0,16% em junho, na menor taxa para o mês desde 2022 (quando houve deflação de 0,68%). Com o resultado, o índice passou a acumular alta de 3,44%, no ano, e de 4,44% nos últimos 12 meses – voltando a ficar abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central (de 4,5%).

Segundo o gerente da pesquisa do IPCA, Fernando Gonçalves, o resultado de julho refletiu uma combinação de quedas em itens relevantes como alimentos e combustíveis e pressão concentrada em energia elétrica. Pelos dados do IBGE, o grupo Habitação acelerou de junho (0,63%) para julho (0,99%), puxado pela alta da energia elétrica residencial, que saiu de 1,53% para 3,09%. Foi o principal impacto individual no mês (0,13 ponto porcentual).

Em contrapartida, o grupo Alimentação e Bebidas ficou negativo em 0,67%, por influência da alimentação no domicílio (-1,14%). Tomate (29,09%), batata-inglesa (19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%) foram destaque, segundo o IBGE.

Houve também recuo nos preços de combustíveis: -2,26% no etanol; -1,37% na gasolina, -1,22% no óleo diesel e -0,08% no gás veicular. Pelas contas de Gonçalves, a inflação teria ficado em 0,27% se fosse descontada a queda em Alimentação e Bebidas. “Foi um cabo de guerra.”

O número geral de julho ficou pouco acima do esperado pelo mercado. Pesquisa do Projeções Broadcast apontava para a mediana de 0,03%. A leitura da maioria dos analistas foi de que o dado não muda o diagnóstico central de desinflação gradual no curto prazo, embora o IPCA tenha apresentado um “qualitativo” pouco pior na margem, sobretudo por serviços – que acumula alta de 5,86% nos últimos 12 meses.

Para Leonardo Costa, economista do ASA, essa piora marginal não altera a tendência recente. “O balanço qualitativo pouco pior na margem não invalida a leitura de melhora da inflação no curto prazo, mas deve reduzir o ímpeto de otimismo em torno das recentes revisões baixistas para o IPCA de 2026”, disse ele.

Mariana Rodrigues, economista da Sul-América Investimentos, também chamou atenção para a perda de qualidade em núcleos e serviços. “Os serviços totais e subjacentes mostraram piora qualitativa, situando-se no teto das expectativas do mercado.” Segundo ela, o resultado foi impulsionado por itens como alimentação fora do domicílio, reparo de veículos e transporte por aplicativo.

Na mesma linha, o Bradesco avaliou que “a deflação de alimentos e a queda dos combustíveis compensaram apenas parcialmente a surpresa de serviços”, citando que a alimentação no domicílio recuou 1,14%, com queda de 6,33% em produtos in natura e carnes praticamente estáveis.

Apesar da avaliação de que a política monetária tem apresentado resultados, ajudando a esfriar o ritmo da economia, o Banco Central considera que os índices inflacionários continuam pressionados pela demanda e que, num cenário como esse, existe a necessidade de manutenção dos juros em patamar elevado. É o que diz a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem.

“O comitê avalia que as evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica têm se acumulado gradualmente. Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, diz trecho do documento.

O IBGE divulgou também que o IPCA de julho ficou em 0,07%, com queda na margem, mas analistas chamaram a atenção que a trajetória dos preços de serviços ainda é de alta.

A ata não trouxe indicações sobre novos cortes, ressaltando que a magnitude do ciclo dos juros será ajustada “à luz da evolução do cenário”. Na leitura de analistas de mercado, o BC segue dependente de dados e não fechou a porta a reduções adicionais da taxa básica de juros, mas continua trabalhando com um cenário mais conservador.

Por essa razão, a maioria prevê só mais uma redução de 0,25 ponto porcentual da Selic neste ano – provavelmente, na reunião do Copom de setembro –, segundo nova pesquisa do Projeções Broadcast. Esse é o cenário-base de 23 das 36 instituições consultadas, caso de Itaú Unibanco, Santander e JPMorgan. Para outras oito casas, podem ocorrer dois ou três novos cortes até o fim do ano, enquanto cinco instituições preveem manutenção da Selic no atual patamar, de 14%.

A XP está nesse último grupo, que não vê espaço para novas reduções. O economista-chefe da casa, Caio Megale, defende que os atuais choques globais de oferta relacionados à energia, inteligência artificial e ao El Niño, somados à resiliência da demanda doméstica e às expectativas de inflação acima da meta, justificam uma pausa na “calibragem” da taxa básica de juros. A XP manteve a projeção da Selic em 14% ao fim deste ano, sem novos cortes, após a divulgação da ata de agosto. Com informações do portal Estadão.

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