Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

Home Política Intervenção de Trump nas eleições brasileiras começou sem tiro nem bomba

Compartilhe esta notícia:

Sem tiro nem bomba, os Estados Unidos iniciaram uma intervenção política no processo eleitoral brasileiro. Se o assunto da semana passada era a fortuna que Flávio Bolsonaro recebeu do Banco Master para financiar uma cinebiografia do pai, as manchetes agora se ocupam de decisões de Donald Trump que miram a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva – o principal concorrente de Flávio na disputa.

Parte da cúpula do Judiciário considera que a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas foi o primeiro passo na interferência dos EUA nas eleições deste ano, porque prende Lula a uma saia justa: se clamar pela soberania nacional, pode ser interpretado como defensor de bandido.

A sequência da intervenção veio com o anúncio do novo pacote de barreiras tarifárias ao Brasil. Trump conseguiu não apenas desviar a pauta do debate eleitoral, mas ameaçar o País com danos econômicos na reta final do governo Lula.

Flávio capitalizou com as medidas. Posou em foto ao lado de Trump da Casa Branca. Na semana passada, se contorcia diante das câmeras para explicar as suspeitas de ter se beneficiado do esquema de fraudes financeiras de Daniel Vorcaro.

Em suma: qualquer atitude dos EUA com impacto na economia ou na soberania brasileira agora interfere no processo eleitoral, ainda que o país de Trump siga poupando tiros e bombas até outubro.

Ao menos dois ministros – um do Supremo Tribunal Federal (STF) e outro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – consideram que os EUA podem incrementar a “intervenção soft” com outras medidas – como o financiamento de defensores de ideias alinhadas às de Trump e o incentivo a candidaturas de direita. Para esses ministros, Trump não está preocupado com o combate ao terrorismo, e sim com a subida de aliados ao poder na América Latina.

Um segundo ministro do TSE, também em caráter reservado, considera cedo para entender como os EUA podem interferir nas eleições brasileiras, mas tem como certo que Lula sai perdendo na primeira investida.

Outros dois ministros, um do STF e outro do TSE, não estão preocupados com tentativas de influência dos EUA nas eleições deste ano. Eles consideram o Brasil imune a esse tipo de ameaça.

As pesquisas de opinião ainda não mediram as consequências para as candidaturas após a mudança de foco no debate eleitoral. Mas já é possível concluir que investigações criminais e estratégia política vão ditar o sobe e desce das campanhas. As propostas dos candidatos, mais uma vez, serão coadjuvantes nas eleições. (Carolina Brígido/Estadão Conteúdo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Intervenção de Trump nas eleições brasileiras começou sem tiro nem bomba
Lula ataca assessor americano por tarifaço, diz que vai mandar carta para Trump e ameaça procurar outros parceiros: “Eu nem ia ao G7, mas agora vou”
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News