Sexta-feira, 31 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 31 de julho de 2026
O Ministério do Interior da Itália determinou nesta sexta-feira o fechamento temporário das fronteiras marítimas e aéreas com a Espanha após a entrada de dezenas de milhares de migrantes marroquinos em Ceuta, território espanhol localizado no norte da África. O episódio desencadeou uma crise política interna e diplomática para o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez, cuja política migratória tem sido alvo de críticas da oposição.
Em comunicado, o ministério italiano informou que a medida prevê o reforço dos controles de fronteira para cidadãos de países terceiros que viajam dentro do Espaço Schengen.
“Essas verificações serão realizadas pela polícia de fronteira em cidadãos de países terceiros selecionados para verificar se possuem a documentação necessária para viajar dentro do Espaço Schengen. A suspensão terá duração de um mês”, informou a pasta.
Durante visita a Ceuta, Pedro Sánchez condenou a atuação das organizações criminosas envolvidas no tráfico de pessoas.
“As máfias envolvidas no tráfico de pessoas enganam muitos jovens, muitos dos quais acabam perdendo a vida”, afirmou.
O premiê também anunciou que o governo espanhol instalará uma barreira física de boias junto ao quebra-mar utilizado por parte dos migrantes para acessar o território espanhol.
Enquanto partidos conservadores espanhóis classificaram a chegada dos migrantes como uma invasão, líderes e partidos de direita em diversos países europeus utilizaram as imagens de Ceuta para reforçar críticas às políticas de imigração e à livre circulação de pessoas. Alguns governos, liderados pela Itália, passaram a defender a suspensão da Espanha do Espaço Schengen. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que a situação em Ceuta representa um alerta para o seu país.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou as imagens registradas em Ceuta como “chocantes” e afirmou que elas demonstram como a imigração ilegal descontrolada representa uma ameaça à segurança das fronteiras europeias.
Já o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, acusou Pedro Sánchez de incentivar a migração para Ceuta. A declaração levou o chanceler espanhol, José Manuel Albares, a convocar o embaixador italiano em Madri para prestar esclarecimentos.
A proposta italiana de suspender a Espanha do Espaço Schengen recebeu apoio da Finlândia. A ministra do Interior finlandesa, Mari Rantanen, afirmou que países que “não cumprem sua obrigação de proteger a fronteira externa” não deveriam integrar a área de livre circulação.
Na Dinamarca, a primeira-ministra Mette Frederiksen defendeu que a União Europeia adote imediatamente todas as medidas necessárias para enfrentar a crise migratória, incluindo a possibilidade de suspender a cooperação no âmbito do Espaço Schengen.
A França também anunciou nesta sexta-feira o reforço dos controles na fronteira com a Espanha. O presidente Emmanuel Macron colocou o governo francês à disposição para prestar apoio às autoridades espanholas, caso seja solicitado.
Já o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, também manifestou apoio à Espanha e afirmou que, embora a situação seja de responsabilidade do governo espanhol, ela desperta preocupação em toda a Europa.