Sexta-feira, 18 de Setembro de 2026

Home Mundo Os argumentos do governo Trump para acusar o Brasil de “falhar” no combate aos grupos criminosos PCC e Comando Vermelho

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A Casa Branca acusou o governo brasileiro de “falhar” no combate às facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas.

A declaração consta de um texto assinado pelo presidente Donald Trump, enviado ao Congresso americano e divulgado na quarta-feira (16) pelo Departamento de Estado.

“Enquanto muitos governos do Hemisfério Ocidental estão tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o governo do Brasil tem falhado em enfrentar as designadas organizações terroristas estrangeiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o país em um ponto central para o fluxo global de cocaína”, diz o texto.

Os Estados Unidos afirmam que as facções brasileiras representam uma “ameaça crescente à paz e à segurança ao redor do mundo”.

“O governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas agressivas para confrontá-las e derrotá-las antes que elas se espalhem e cresçam”, afirma o documento.

Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que “o governo brasileiro refuta quaisquer alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional”.

A pasta citou iniciativas do governo na área, como a sanção da Lei Antifacção, “que prevê penas mais severas para líderes de facções e cria mecanismos que asfixiam suas operações”.

O ministério também mencionou “as dezenas de milhares de operações de combate ao crime por forças federais, com bilhões de reais de prejuízo aos criminosos”.

O governo brasileiro afirmou ainda aguardar uma resposta da Casa Branca sobre uma proposta apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 7 de maio, durante visita a Washington. Segundo o ministério, o documento detalhava “medidas conjuntas de enfrentamento à lavagem de dinheiro, compartilhamento de inteligência e combate ao tráfico de armas”.

No início de junho, os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida era contestada pelo governo Lula, que apontava riscos à soberania nacional e à possibilidade de abertura de espaço para ações militares americanas sob o argumento de combate ao terrorismo.

A classificação era defendida publicamente por Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na disputa pela Presidência, que afirmava que a cooperação internacional poderia contribuir para o combate às facções e à violência.

A manifestação do governo Trump faz parte de um documento que a Casa Branca envia anualmente ao Congresso americano para identificar os “principais países de rotas de drogas ou principais países produtores de drogas ilícitas”.

Neste ano, a relação inclui Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Mianmar, Nicarágua, Paquistão, Panamá e Peru.

O Brasil não aparece na lista. O documento, porém, traz comentários sobre políticas de segurança de outros países, incluindo o governo brasileiro.

A ausência do Brasil entre os países classificados como principais rotas ou produtores de drogas foi destacada pelo Ministério da Justiça. “O Brasil não foi incluído na relação de países formalmente classificados pelos EUA como principais rotas de trânsito ou de produção ilícita de drogas. A alusão registrada no texto não corresponde à categoria jurídica de descumprimento formal prevista na legislação norte-americana que rege esse mecanismo anual. Trata-se, portanto, de manifestação circunstancial inserida na parte narrativa do documento, sem respaldo em sua parte dispositiva.”

Venezuela

O documento também registra elogios a governos aliados dos Estados Unidos no combate ao narcotráfico. Trump afirmou: “Saúdo três dos maiores aliados dos Estados Unidos em nosso hemisfério — Argentina, Equador e El Salvador — por sua liderança, determinação e sucesso no combate ao narcoterrorismo”.

A Casa Branca também elogiou o governo interino de Delcy Rodríguez na Venezuela. Segundo Trump, “graças à prisão e a retirada” de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, “já estamos observando os resultados da crescente cooperação com o governo interino do país no combate aos cartéis, incluindo a eliminação de Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua”.

O documento lista ainda os países que “comprovadamente falharam, ao longo dos últimos 12 meses, em fazer esforços substanciais para cumprir suas obrigações decorrentes de acordos internacionais de combate aos narcóticos e em adotar as medidas de combate aos narcóticos”.

Neste ano, foram incluídos nessa categoria Afeganistão, Bolívia, Colômbia e Mianmar. A Venezuela foi retirada da relação. (Com informações da BBC News Brasil)

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