Quarta-feira, 30 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de setembro de 2026
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, ganhou protagonismo na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com participação nos palanques, destaque na propaganda eleitoral e influência na definição da agenda de eventos do petista.
Ela passou a discursar nos comícios do candidato à reeleição e chegou a repreender o marido durante eventos. Em Maceió, na última quinta-feira (24), interrompeu o discurso ao perceber que Lula conversava com o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB).
“Amor, amor”, disse Janja, em tom de reprimenda, para explicar que falava de uma peça de artesanato da Ilha do Ferro mantida no Palácio do Alvorada.
Em Florianópolis, no dia 19, ao notar a impaciência do presidente enquanto aguardava o microfone, afirmou: “gente, só para terminar aqui, que o presidente já está me olhando de cara feia. Hum… Cara feia para mim é fome”.
Aliados de Lula afirmam que a influência de Janja aumentou após a saída do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, sob suspeita de tráfico de influência no escândalo do INSS.
Segundo relatos, Janja passou a opinar mais diretamente na agenda presidencial. Também teria participado da organização de um ato com artistas no Rio de Janeiro e influenciado a escolha de Márcio Tavares, secretário-executivo do Ministério da Cultura, para integrar a equipe responsável pela agenda de Lula.
Nos eventos, Janja faz a triagem de quem sobe ao palanque e participa da organização. Amigo do casal presidencial, o coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, afirma que ela sugeriu a montagem de palcos em formato de “T”, para aproximar Lula dos apoiadores. Segundo ele, Janja também vetou áreas VIP nos eventos e participou da definição de temas da campanha, como os efeitos das bets nas famílias e o combate ao feminicídio.
Antes do início oficial da corrida eleitoral, Janja já havia participado da organização da campanha, inclusive na escolha do grupo responsável pelo plano de governo para a Cultura. Na pré-campanha, convocou congressistas de partidos aliados para reuniões na sede do PT, em Brasília.
Funcionários do Palácio do Planalto relatam que a influência da primeira-dama alcança detalhes da organização de eventos e o acesso de integrantes da assessoria de imprensa a determinadas áreas do palácio.
As interferências de Janja, porém, já haviam provocado repercussões anteriormente. Em 2025, ela pediu a palavra durante um jantar oficial de Lula com o líder chinês Xi Jinping para abordar problemas do TikTok no Brasil. Em 2026, sua articulação para participar do desfile de Carnaval da Sapucaí que homenageava Lula também gerou incômodo no entorno do presidente. Após divergências internas, ela não desfilou e acompanhou o marido do camarote.
No Rio de Janeiro, na última quinta, Lula desfilou na carroceria de uma caminhonete ao lado de Eduardo Paes (PSD), candidato a governador, Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), candidatos ao Senado. Janja também estava no veículo e, em determinado momento, mudou a posição do presidente, que estava ao lado de Paes, colocando-o junto de Benedita.
Aliados relatam ainda dificuldades para discutir com Lula, em conversas privadas, a exposição de Janja na campanha. A primeira-dama teve, na estreia da propaganda eleitoral na TV, o mesmo tempo de aparição que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
A assessoria de Janja afirmou que ela participa da campanha desde o início, quando Marcola ainda estava no gabinete.
“Ela não está na coordenação, mas é uma mulher com boas ideias e sempre disposta a somar na construção da reeleição do presidente Lula. E toda participação dela, tanto na campanha quanto como primeira-dama, é sempre validada pelo próprio presidente Lula”, acrescentou. (Com informações da Folha de S.Paulo)