Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

Home Economia Juro alto dos financiamentos freia compra de carro popular

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Apesar das medidas anunciadas pelo governo para reduzir o preço dos carros populares, há outro obstáculo para quem sonha em comprar um veículo: os juros altos. Poucas pessoas atualmente conseguem se planejar para comprar um automóvel à vista, e quem depende de financiamento viu o custo saltar nos últimos dois anos.

De acordo com o Banco Central, o juro médio para financiamento de veículos foi de 2,10% em abril, o equivalente a 28,32% ao ano. Em 2021, a taxa média das instituições financeiras na modalidade era de 1,63% ao mês, ou 21,75% ao ano. A disparada ocorreu em meio a elevação da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13,75%.

Hoje, os automóveis zero mais em conta encontrados no mercado são os modelos Renault Kwid e Fiat Mobi, vendidos por R$ 68.990. O governo dará descontos em tributos para as montadoras como IPI e PIS/Cofins. As reduções nos preços finais vão variar de 1,5% a 10,96%, a depender de critérios como preço, eficiência energética e densidade industrial.

A expectativa, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), é que a redução de impostos baixe o preço inicial de carros compactos com motor 1.0 para uma faixa abaixo dos R$ 60 mil. Considerando o valor projetado e uma entrada de 10% à vista, uma simulação feita pelo Correio mostra que o preço do veículo pode subir 60% com os juros para o parcelamento em 48 meses, opção mais viável, tendo em vista a parcela mensal de R$ 1.891,92.

Endividamento

O coordenador dos cursos automotivos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Antonio Jorge Martins, afirmou que a isenção fiscal não garante o repasse ao consumidor, além de aumentar os riscos de inadimplência. “A taxa de juros em patamar elevado dificulta a venda dos veículos. Cerca de 70% a 75% dos consumidores recorrem ao financiamento. Os níveis de risco e de endividamento inibem os bancos de concederem esses empréstimos, tornando o custo do crédito ainda mais elevado”, afirmou.

De acordo com Martins, na prática, o incentivo anunciado pelo governo não tem condições de reverter o quadro atual. “Há de se esperar novas medidas, bem como redução da taxa de juros nos próximos meses, pois, dessa maneira, será difícil fazer esse desconto chegar na ponta”, avaliou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu, nesta sexta-feira (26/5), com a presidente da Caixa, Rita Serrano, e a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros. O tema foi o crédito para compra de carros, com intuito de melhorar a política de juros adotada pelos bancos públicos.

“A taxa de juros continua sendo um empecilho, portanto é importante deixar a emoção de lado e considerar se realmente haverá uma redução real. O governo tem brigado bastante com o Banco Central neste quesito. Sobre o incentivo, ainda não há nada concreto e não sabemos se isso valerá também para os veículos que já estão no pátio da concessionária”, observou o analista econômico Caio Mastrodomênico.

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