Terça-feira, 22 de Setembro de 2026

Home Mundo Lula chama Trump de “imperador” e diz que pediu ao presidente dos Estados Unidos que não interfira na eleição brasileira

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nessa segunda-feira, dia 21, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “age como um imperador” ao adotar práticas comerciais unilaterais.

Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, âncora da CNN Internacional, Lula defendeu o “multilateralismo” como forma de manter a “harmonia” nas relações comerciais entre os países.

“É uma forma de governar com a qual não concordo. Ele tem um jeito de governar baseado em “sou o mais forte, sou o mais poderoso, sou o mais rico, posso tudo, e todos os outros têm que obedecer”. É a lei do mais forte”, disse o presidente brasileiro.

Não é a primeira vez que Lula se dirige ao presidente dos Estados Unidos como imperador. Em declarações dadas em diferentes ocasiões à imprensa – como em julho do ano passado e, mais recentemente, em junho deste ano durante a cúpula do G7 na França –, o presidente brasileiro reiterou suas críticas ao estilo de governar de Trump, afirmando que o líder norte-americano “fala muito e ouve pouco” e precisa lembrar que foi eleito para governar os Estados Unidos, e não para agir como o “imperador do mundo”.

“Falei para os EUA não interferirem nas eleições brasileiras”

Lula afirmou ainda que pediu ao presidente dos Estados Unidos que não interfira nas eleições gerais do Brasil.

“Eu falei pro Trump que é bastante importante para os Estados Unidos não interferirem nas eleições brasileiras, porque temos uma relação diplomática de mais de 200 anos. O povo brasileiro não é antiamericano. Nós temos uma relação muito sofisticada com os EUA”, declarou.

E acrescentou

“As eleições brasileiras são do interesse do povo brasileiro, e as eleições dos Estados Unidos são do interesse do povo norte-americano. Portanto, é o povo que importa; é o povo que comete erros ou acerta. Mas essa é uma responsabilidade do povo. E eu não quero que os Estados Unidos interfiram de forma alguma. Há alguns indícios de interferência, de uso de inteligência artificial”, concluiu o presidente brasileiro.

Venezuela

O assunto da soberania também surgiu quando Lula foi questionado sobre a situação na Venezuela, hoje tutelada pelo governo Trump após a captura do ditador Nicolás Maduro em operação americana.

“É grave o que os EUA fizeram à Venezuela. A soberania do país acabou. Isso não é bom para os dois países nem para a democracia. Desse modo os EUA são os chefes da Delcy [Rodríguez]”, afirmou ele, que por anos foi próximo ao chavismo, ainda que no último pleito, de 2024, não tenha reconhecido a vitória de Maduro.

A líder interina venezuelana, que era vice de Maduro, está em Nova York e se reúne com Trump na terça-feira (22). Com a ajuda do republicano, Caracas tem sido reabilitada em vários fóruns internacionais, da ONU aos debates sobre energia global. Não houve pedido de reunião de Delcy com Lula.

 

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