Domingo, 14 de Julho de 2024

Home em foco Lula compara o Congresso Nacional a uma “raposa cuidando do galinheiro” ao falar do marco temporal

Compartilhe esta notícia:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparou o Congresso Nacional a uma “raposa cuidando do galinheiro” ao se referir ao imbróglio envolvendo o marco temporal das terras indígenas no País. Em um evento com movimentos sociais na COP28, em Dubai, o presidente pediu que a ministra Sonia Guajajara (Povos Indígenas) usasse sua simpatia para “tentar convencer os caras” (parlamentares) a não derrubarem seu veto quase integral ao projeto de lei aprovado pelo Congresso em setembro, em desafio a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou a tese inconstitucional.

O Congresso deve analisar os vetos de Lula nesta quinta-feira (7), e a tendência é a derrubada dos vetos do presidente. Isso porque é muito provável que, por ir contra uma decisão do STF, o projeto de lei seja contestado na própria Suprema Corte.

“A gente tem que se preparar para entender o seguinte: ou nós construímos uma força democrática capaz de ganhar o Poder Legislativo, o Poder Executivo e fazer a transformação que vocês querem, ou nós vamos ver o que aconteceu com o marco temporal. Querer que uma raposa tome conta do nosso galinheiro é acreditar demais”, disse o presidente.

Entenda o caso

A tese do marco temporal, impulsionada pela bancada ruralista e o setor do agro, estipula que os povos indígenas têm direito a ocupar apenas as terras onde já estavam ou que reivindicavam antes da promulgação da Constituição de 1988. Lideranças indígenas contestam a tese ameaça a sobrevivência de muitas comunidades e a preservação de florestas.

“Quando a gente entrou com a questão do marco temporal, ninguém aqui de bom senso, ninguém tinha noção de que a gente ia ganhar aqui no Congresso Nacional. É só olhar a geopolítica do Congresso Nacional que vocês sabiam que a única chance que a gente tinha era a que foi votada na Suprema Corte. E é por isso que eu vetei. E é por isso que a gente colocou o risco de derrubar o veto”, disse.

Lula pediu que os militantes fiquem atentos à votação e que a ministra Guajajara se esforce para mantê-los.

“Esteja atento, que na hora que for votar [os vetos] no Congresso, para derrubar o veto que eu fiz, eles podem derrubar. Então, a Soninha [Guajajara], muito simpática, rindo assim, tentar convencer os caras para não derrubar o veto desses nossos indígenas, que é tudo em que eles só querem viver bem. Eles só querem viver. Isso é negociação que você precisa ter noção do que você tem que fazer”, alertou o presidente.

Extrema-direita

A fala de Lula ocorreu quando ele manifestava preocupação com o crescimento da extrema-direita no mundo, citando a Argentina, onde Javier Milei ganhou a eleição em novembro, e os Estados Unidos, onde Donald Trump pode retornar ao poder. Lula pediu mobilização para evitar a eleição de um Congresso conservador no futuro.

“Eu queria chamar a atenção de vocês para algumas coisas importantes. E vocês aprenderam nos últimos tempos a compreender que muitas das coisas que vocês reivindicam, que vocês privam o dia inteiro, depende de uma coisa chamada fortalecimento da democracia. Se a gente não leva isso em conta, a cada eleição a gente vai reclamar que o poder legislativo está mais conservador. E se ele estiver mais conservador, mais dificuldade nós teremos de aprovar grande parte daquilo que vocês passam o ano inteiro reivindicando”, finalizou.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Em busca de diálogo com senadores da oposição para angariar votos ao Supremo, o ministro Flávio Dino se reuniu mais com parlamentares da base e políticos do seu estado do que com opositores ao governo ou integrantes dos maiores partidos políticos do Congresso nos 11 meses em que esteve no Ministério da Justiça
Se depender do Congresso Nacional, todo dia será comemorada alguma coisa no País
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play

No Ar: Pampa News