Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 27 de agosto de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, se reúna com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma tentativa de reduzir a tensão entre a corporação e o magistrado. O encontro deve ocorrer nos próximos dias e será mediado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
A articulação ocorre em meio ao aumento do desgaste envolvendo investigações consideradas sensíveis para o governo federal, entre elas os casos relacionados ao Banco Master, ao fundo Dark Horse e às suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Mendonça é o relator no STF de inquéritos que passaram a concentrar forte atenção política. O ministro adotou medidas que provocaram desconforto em setores da Polícia Federal, especialmente em relação à condução das investigações e ao acesso a informações. O ambiente se agravou com divergências sobre mudanças em equipes responsáveis pelas apurações e sobre o encaminhamento de documentos ao Supremo.
A reunião entre Rodrigues e Mendonça ainda não tinha data definida nesta quinta-feira (27). A ideia é criar um canal direto de diálogo entre o comando da PF e o ministro responsável pelos processos, com o objetivo de esclarecer divergências e evitar que o conflito institucional aumente.
O encontro será acompanhado pelo ministro da Justiça. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também poderá participar da conversa. A intenção do governo é estabelecer uma interlocução entre os responsáveis pelas investigações e o relator dos inquéritos.
A relação entre Mendonça e a direção da Polícia Federal se deteriorou nas últimas semanas. O ministro determinou que Rodrigues ficasse afastado da investigação relacionada ao INSS e que não tivesse acesso a determinadas informações do inquérito. Também determinou que documentos e dados fossem encaminhados ao Supremo.
A decisão ocorreu após mudanças na equipe responsável pela investigação do caso do INSS. A alteração da coordenação desagradou ao gabinete de Mendonça e aumentou a desconfiança entre o ministro e a cúpula da PF. A situação chegou a provocar manifestações internas de delegados em defesa do diretor-geral da corporação.
Além da investigação sobre o INSS, Mendonça também conduz o caso envolvendo o Banco Master e o fundo Dark Horse. As duas apurações ganharam relevância política por envolverem personagens próximos ao governo e por ocorrerem durante o período eleitoral.
No caso do INSS, as investigações alcançaram Lulinha. O filho do presidente é alvo de três inquéritos no STF relacionados a suspeitas de tráfico de influência. A defesa nega as acusações e afirma que ele é vítima de perseguição política.
O avanço das investigações colocou o governo em uma posição delicada. Lula tem afirmado publicamente que não interfere nas apurações e que qualquer pessoa que tenha cometido irregularidades deve responder perante a Justiça. Ao mesmo tempo, integrantes do governo passaram a trabalhar para reduzir o desgaste institucional entre o STF e a Polícia Federal.
(Com informações do O Estado de S.Paulo)