Sábado, 04 de Dezembro de 2021

Home em foco Mais de 3 milhões de crianças correm risco de desnutrição no Afeganistão, diz a Organização Mundial da Saúde

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Cerca de 3,2 milhões de crianças estão sob o risco de sofrer de forte desnutrição no Afeganistão até o final deste ano, com um milhão delas correndo o risco de morrer com a queda das temperaturas no inverno do Hemisfério Norte, disse a porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Harris, nesta sexta-feira (12).

As agências de ajuda humanitária vêm alertando que a seca no país coincide com uma grave crise econômica provocada pela retirada do apoio financeiro ocidental depois da saída dos militares americanos do Afeganistão e a tomada do poder pelo Talibã, em agosto. O Banco Mundial suspendeu os repasses ao país, e o governo dos EUA congelou os fundos do Banco Central afegão no exterior.

O setor da saúde foi especialmente atingido, com muitos trabalhadores deixando seus postos por causa da falta de salários.

“O mundo não deve e nem pode se dar ao luxo de virar as costas ao Afeganistão”, disse Harris numa teleconferência a partir de Cabul.

As temperaturas noturnas no Afeganistão estão caindo abaixo de 0ºC e teme-se que o frio torne os idosos e os jovens mais suscetíveis a doenças, disse Harris. Em alguns lugares, as pessoas estão cortando árvores para queimar e aquecer os hospitais, disse Harris.

A porta-voz da OMS não tinha dados sobre o número de crianças que já morreram de desnutrição, mas descreveu “enfermarias cheias de crianças pequenas”. Os casos de sarampo estão aumentando no país e os dados da organização mostram que 24 mil infecções foram relatadas até o momento.

“Para crianças desnutridas, o sarampo é uma sentença de morte. Veremos muito mais mortes se não agirmos rapidamente”, disse Harris.

Desespero

Recentemente, uma família que vive nos arredores da cidade de Herat, no Afeganistão, decidiu vender uma bebê por US$ 500, R$ 2.777 na cotação atual. Em entrevista à emissora britânica BBC, a mãe da menina contou que a decisão foi motivada pelo fato de o outro filho estar “morrendo de fome”. O marido não consegue emprego e, sem renda, eles não são capazes de comprar itens básicos de sobrevivência.”Meu outro filho estava morrendo de fome, então tivemos que vender minha filha. Eu gostaria de não ter que vendê-la”, disse a mulher, que não teve a identidade revelada por proteção.

Ela conta que o marido trabalhava como catador de lixo, mas a atividade não garante o sustento da família. A bebê será levada assim que começar a andar. O homem que a comprou já entregou metade do valor, o que manterá a família por apenas alguns meses. A promessa é de que a criança se case com o filho do comprador, mas não há qualquer garantia de que isso ocorrerá.

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