Sábado, 21 de Maio de 2022

Home Economia Média de idade do investidor da Bolsa no Brasil cai para 38 anos

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A idade média do investidor na Bolsa brasileira, a B3, teve um recuo de cerca de 11 anos (de 48,7 para 37,9 anos) entre 2016 e 2021, revela um levantamento feito pela Bolsa de Valores. Hoje, dos 5 milhões de brasileiros com contas na B3, 62% têm menos de 40 anos. Jovens com até 24 anos representam 12% do total.

Uma das razões que facilitaram o interesse desse público foi a digitalização: com boa parte das negociações migrando para a internet, a renda variável entrou na pauta dos chamados “nativos digitais”. Com a redução da idade média, o pequeno investidor passou a dominar. Hoje, 56% dos clientes da B3 têm renda mensal de até R$ 5 mil e só aplicam R$ 50 no primeiro aporte.

Em 2020, aos 23 anos, Renan Oliveira fez seu primeiro investimento na Bolsa: comprou R$ 5 mil em ações da Cielo e da Itaúsa. Assim como Renan, trainee em um escritório de contabilidade, cada vez mais jovens brasileiros buscam a renda variável – o que levou a um “rejuvenescimento” do perfil do investidor na B3.

Mas o que quer o investidor que busca o mercado de ações logo no início da vida financeira independente? Renan Oliveira, que consegue investir cerca de um terço de seu salário, diz que sua meta é de longo prazo. “Meu foco é ter estabilidade financeira no médio prazo e, no futuro, ter uma fonte de renda para quando eu estiver mais velho e quiser me aposentar.”

Hoje, dos 5 milhões de brasileiros com contas na B3, 62% têm menos de 40 anos. E boa parte desse “rejuvenescimento” está relacionada à entrada no mercado financeiro de um contingente de jovens que acabaram de começar a vida profissional. Um total de 600 mil brasileiros com idade até 24 anos já investe em ações, ou 12% do total.

Esse grupo foi justamente o que mais cresceu em termos porcentuais: isso porque a participação dos jovens de até 24 anos no contingente de investidores não somava sequer 1% do total há cinco anos.

Uma das razões que facilitaram o interesse desse público por papéis de empresas foi a digitalização: com boa parte das negociações migrando para a internet, a renda variável entrou na pauta dos chamados “nativos digitais”.

Especialistas dizem, porém, ver a situação com certa cautela: investidores menos experientes podem se iludir com promessas de ganhos rápidos e que minimizam o risco inerente à Bolsa.

“Novatos”

A imagem do milionário que “aposta” quantias exorbitantes no mercado financeiro não pode estar mais distante da realidade do novo perfil de investidor na B3. Como o novo perfil reúne pessoas para quem o dinheiro perdido em um momento de baixa no mercado pode fazer muita falta, o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, faz um alerta sobre a necessidade de diversificação da carteira entre opções de renda fixa e variável.

“O investidor precisa separar apenas aquele recurso que sabe que não vai fazer falta e entender quais são seus objetivos de curto, médio e longo prazo”, diz o especialista.

Isso porque, além do incentivo vindo dos bancos e corretoras, uma grande quantidade de produtores de conteúdo sobre renda variável já está capitalizando o nicho de jovens investidores. Diretor da B3 responsável pelo relacionamento com clientes e pessoas físicas, Felipe Paiva explica que a Bolsa está atenta a esse movimento – e tem tentado esclarecer as regras do investimento. “Muitos estão investindo para aprender. A ideia é mostrar que esse investimento é de longo prazo e não é uma corrida de 100 metros”, afirma.

É por isso que muita gente prefere testar o investimento em ações aos poucos. Esse é o caso da professora universitária Jéssica Silva, 31 anos, que há um ano estreou na B3 com um investimento mensal na casa de R$ 600. “Antes, só usava a poupança para guardar meu dinheiro, mas decidi mudar para conseguir ter um rendimento maior no longo prazo”, diz.

Jéssica contratou assessoria de investimentos por causa da sua falta de experiência. “Meu assessor tem a função de me guiar na hora de decidir em qual empresa investir. Ele me fala o código da ação e só vou e faço a compra”, explica.

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