Sábado, 26 de Setembro de 2026

Home Economia Mercado Livre passa a vender remédios com prescrição; associação de farmácias vai questionar a legalidade da iniciativa junto à Anvisa

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O Mercado Livre anunciou durante coletiva de imprensa no evento Mercado Livre Experience, em São Paulo, novos passos para avançar no setor de saúde e no comércio eletrônico ultrarrápido. O marketplace vai começar a comercializar remédios que exigem prescrição médica e também vai permitir a entrada de grandes redes de farmácia que poderão vender no marketplace.

A entrada no segmento de farmácias é um movimento que a varejista vem ensaiando há cerca de um ano. Após adquirir uma farmácia própria em São Paulo e obter a licença necessária, a empresa iniciou um projeto-piloto focado apenas em medicamentos isentos de prescrição, um período que serviu de teste para validar o volume expressivo de buscas e a alta taxa de conversão do setor na plataforma.

O processo deve seguir um rito rigoroso, semelhante ao que já é feito nas farmácias físicas. A receita será enviada para a validação de um farmacêutico do próprio Mercado Livre, que seguirá todos os procedimentos padrão antes de liberar o pedido para a logística. A venda direta é feita através da estrutura adquirida da Farmácia Cuidamos, cuja compra foi concluída no ano passado. Ou seja, os medicamentos não passam pelo centro de distribuição, eles são enviados diretamente desta farmácia para os compradores.

Além da venda direta, a empresa abrirá espaço para que grandes redes operem dentro da plataforma no formato de marketplace. Até o final de outubro, três redes de farmácia já estarão integradas, com a meta de alcançar 20 farmácias parceiras na Região Metropolitana de São Paulo até o fim deste ano, com entrega em até 60 minutos.

— Começamos com o que era mais simples, os medicamentos isentos de prescrição, e fomos evoluindo com responsabilidade até chegar aqui, na venda de medicamentos que exigem retenção de receita, com validação de um farmacêutico cumprindo a regulamentação da Anvisa. Agora, damos um passo que sempre foi o nosso objetivo: evoluir para o modelo de marketplace, conectando farmácias parceiras diretamente aos consumidores — afirmou Fernando Yunes, Vice-presidente executivo de Commerce e líder do Mercado Livre no Brasil.

O avanço do Mercado Livre no comércio de medicamentos ocorre em um momento de mudança regulatória. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a abertura de um processo administrativo para regulamentar a contratação de plataformas de comércio eletrônico e canais digitais por farmácias, com o objetivo de adequar as normas sanitárias às novas regras de logística e entrega ao consumidor.

O cenário regulatório mudou com a lei aprovada em março de 2026, quando a legislação passou a admitir que farmácias e drogarias regularmente licenciadas contratem plataformas de comércio eletrônico e outros canais digitais para logística e entrega de medicamentos ao consumidor, observadas as exigências sanitárias.

Uma série de marketplaces tinham proibições para atuar neste mercado, mas as revisões começaram recentemente. Em agosto, Shopee, Mercado Livre, iFood, Rappi e B2W foram liberadas.

A companhia já opera a venda de medicamentos em outros mercados da América Latina, como Argentina, Chile, Colômbia e México, e aplicou o piloto em São Paulo como base para estruturar a expansão neste setor

Yunes ressaltou ainda que a estratégia da plataforma não é estrangular o varejo físico tradicional. A visão da empresa é atuar de forma complementar, como um “shopping online”. — A ideia não é competir com as farmácias, mas colaborar, usando o tráfego do Mercado Livre junto da expertise das farmácias — explicou.

Procurada, a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) afirmou que vai questionar à Anvisa sobre a legalidade da venda de remédios prescritos no Mercado Livre. Para a entidade, a venda anunciada de remédios por meio da plataforma, inclusive com receita, fere a legislação.

“No entendimento da entidade, enquanto não for concluída a regulamentação em discussão na agência, permanece vedada a comercialização de medicamentos por marketplaces. Em comunicado do último dia 10 de agosto, a própria Anvisa esclareceu que “a revogação de resoluções da vigilância sanitária não implica em autorização automática de comercialização de produtos farmacêuticos” e que a aplicação da nova lei está condicionada à regulamentação ainda a ser editada”. Com informações do portal O Globo.

 

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