Domingo, 22 de Maio de 2022

Home em foco Ministra Flavia Arruda é afastada do governo para tratar de “assuntos particulares”

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A ministra Flávia Arruda, da Secretaria-Geral de Governo, pediu licença do cargo esta semana e ficará afastada da pasta até o dia 21 de janeiro para tratar de “assuntos particulares”. A licença da titular consta em publicação do Diário Oficial da União de sexta-feira (14).

Única representante do PL – novo partido do presidente Jair Bolsonaro, a ministra vem sofrendo desgaste em sua relação com a base governista há alguns meses. Ela é pressionada sobretudo por integrantes do Centrão, que pedem sua demissão por ela supostamente não honrar acordos de repasses de emendas.

Em dezembro de 2021, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) se desentendeu com a ministra pelo telefone ao cobrar a liberação de uma emenda prometida a ele pelo Planalto. O parlamentar teria gritado e agredido verbalmente a ministra, usando expressões machistas, o que motivou inclusive uma nota de repúdio da bancada feminina da Câmara.

Em entrevista na primeira semana do ano, Bolsonaro afirmou que “desconhece” onde a ministra teria errado para que a demissão dela fosse solicitada. “Se, porventura, (ela) estiver errando, como já aconteceu, acontece, eu chamo e converso com ela. Ela não será demitida jamais pela imprensa”, disse.

A ministra começou o ano fazendo viagens pela pasta. Na semana passada, foi escalada pelo chefe do Executivo para visitar cidades atingidas pela chuva em Minas Gerais e auxiliar a viabilização de recursos para os municípios afetados. Ela registrou parte das visitas em seu perfil oficial no Instagram.

Entre outras coisas, a Secretaria-Geral de governo tem a função de coordenar a articulação política, conduzir o diálogo e garantir a integração do Poder Executivo com a sociedade. Não há ainda justificativa detalhada divulgada pelo Planalto ou pela pasta sobre o afastamento temporário da ministra.

Ataques

Interlocutores do presidente Jair Bolsonaro enxergaram no ataque especulativo contra Flávia Arruda um pretexto para o início de uma debandada de deputados do Centrão no Nordeste.

Recentemente, o líder do Republicanos, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), da Paraíba, pediu a cabeça de Flavia com o argumento de que a ministra não cumpriu acordos feitos para liberação de verbas por meio de emendas.

No Planalto é ressaltado que nunca se liberou tanto dinheiro para parlamentares como agora, principalmente, com as emendas de relator. Este ano foram empenhados R$ 15,256 bilhões dos R$ 16,865 previstos no Orçamento de 2021 para este tipo de verba.

“Motta até tem razão de cobrar acordo, mas não pode ser insaciável. Tudo tem limite”, argumentou um auxiliar palaciano.

O movimento é visto com preocupação por aliados do Bolsonaro. A avaliação é que deputados do Centrão estão com dificuldade de subir no palanque pela reeleição do presidente, especialmente no Nordeste, por causa da rejeição elevada.

A avaliação no Planalto é que ao atacar Flávia Arruda diretamente, o deputado Hugo Motta mira o presidente Jair Bolsonaro e com isso tenta se afastar do governo. Tanto, que o próprio Bolsonaro saiu em defesa da ministra palaciana em entrevista em São Paulo.

“A indicação da Flávia Arruda foi minha. Por que eu a indiquei? Não é por ser mulher, por nada. É pela competência dela”, afirmou Bolsonaro. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também saiu em defesa de Arruda.

Para o Planalto, outros parlamentares do Centrão também estão em busca de uma desculpa para abandonar o barco de Bolsonaro.

O movimento de debandada foi deflagrado pelo ex-líder do governo, o senador Fernando Bezerra Coelho no final do ano passado, depois que não recebeu apoio do Planalto para disputar uma vaga de ministro do Tribunal de Contas da União.

Para aliados de Bolsonaro, a derrota de Bezerra Coelho na disputa pela vaga foi apenas um pretexto para deixar o governo. Isso porque o filho do senador que é prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, se prepara para disputar o governo de Pernambuco. E, por isso, não pode ficar associado à imagem de Bolsonaro.

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