Sábado, 19 de Setembro de 2026

Home Política Ministro do Supremo André Mendonça pede ajuda da Polícia Federal após não conseguir acessar celular de Daniel Vorcaro

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça enviou um ofício ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, neste sábado (19), informando que ainda não conseguiu ter acesso efetivo à íntegra do conteúdo de um dos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro apreendidos pela corporação. No documento, Mendonça afirma que o gabinete não conseguiu acessar os dados armazenados na mídia entregue pela PF. O ministro do Supremo atribui o problema a possíveis dificuldades técnicas ou até a algum defeito no material fornecido pela corporação.

“Até o presente momento, seja por dificuldades de ordem técnica operacional, seja por algum tipo de defeito contido na mídia entregue, este Gabinete não logrou êxito em obter acesso efetivo ao material ali contido, permanecendo os respectivos dados e informações indisponíveis ao exame e análise deste juízo”, diz Mendonça no ofício.

O ministro do STF, então, pede à Polícia Federal “auxílio técnico operacional necessário, bem como a conferência na higidez do material especificamente entregue” a seu gabinete, “a fim de viabilizar a superação de qualquer óbice ao efetivo acesso ao referido material”.

A reclamação ocorre em meio à disputa dentro do STF em torno do acesso ao celular de Vorcaro. Nos últimos dias, o ministro Luiz Fux também pediu à PF acesso integral ao conteúdo do aparelho. Fux e Mendonça pediram acesso ao mesmo material já disponibilizado a Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.

O arquivo compactado, enviado pela Polícia Federal por determinação de ministros do STF, tem 500 gigabytes (GB). Para se ter uma ideia, esse tamanho comporta cerca de 140 mil imagens em alta resolução, mais de 120 mil arquivos de áudio em formato MP3 e cerca de 40 horas de filmes em alta resolução.

Os dados estão divididos em pastas com chats, áudios e logs (registros de atividades feitas no aparelho). E há um cuidado especial com o tratamento especialmente para manter a privacidade de questões pessoais que possam estar na extração. Outra preocupação é não revelar dados ligados às apurações que ainda não foram deflagradas ou que possam render novas frentes de investigação.

Os dados extraídos foram organizados pela PF utilizando um software para perícia chamado IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais) para organizar e analisar o material coletado. Esse programa facilita a navegação, permitindo buscas por palavras-chave, em conversas e documentos, além de permitir estruturar arquivos. O sistema também gera um código específico que assegura a integridade das provas e permite analisar se houve tentativa de alteração no material.

A PF usou ferramentas para acessar dados apagados ou protegidos por senha. Peritos da polícia utilizaram softwares especializados para copiar o conteúdo completo do aparelho, recuperar fragmentos de dados e rastrear registros de envio de mensagens e arquivos.

A Polícia Federal disse, em nota, que as cópias entregues “são idênticas à extração realizada do aparelho”. O órgão também afirmou que “o material original permanece integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada, com os respectivos lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital”.

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