Quarta-feira, 17 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 17 de junho de 2026
Pesquisas recentes revelam que o consumidor brasileiro já demonstra consciência ambiental, mas ainda enfrenta barreiras para transformar intenção em prática. Levantamentos da CNI mostram que 81% afirmam se preocupar com hábitos sustentáveis sempre ou na maioria das vezes, e 55% dizem levar em conta a sustentabilidade na hora de decidir o que comprar. Esses números indicam que a pauta verde já entrou no imaginário coletivo, mas também expõem contradições que precisam ser enfrentadas.
O preço continua sendo o maior obstáculo. Produtos e serviços certificados por normas como ISO 14001 ou NBR 16001, que garantem práticas ambientais e sociais responsáveis, muitas vezes custam mais caro. Para 28% dos entrevistados, esse fator é decisivo na hora de optar por alternativas convencionais. A percepção de que sustentabilidade é um luxo precisa ser desconstruída. O custo adicional não é apenas um valor monetário: ele reflete investimentos em processos que evitam impactos negativos nos recursos do planeta.
Outro ponto crítico é a comunicação. O marketing das empresas nem sempre é transparente, e o risco do greenwashing mina a confiança do consumidor. Quando marcas se apresentam como sustentáveis sem cumprir requisitos reais, criam desinformação e desmotivam escolhas conscientes. É nesse cenário que certificações sérias ganham relevância. Elas funcionam como um selo de credibilidade, permitindo que consumidores diferenciem discurso de prática.
As pesquisas também mostram diferenças geracionais e regionais. Jovens de 16 a 24 anos são os menos engajados, enquanto pessoas acima de 60 anos lideram a adoção de hábitos sustentáveis. O Sul aparece como a região mais comprometida, indicando que fatores culturais e educacionais influenciam diretamente o comportamento. Uma revisão sistemática de literatura identificou 11 fatores de influência no consumo sustentável: ambiente, idade, nível educacional, classe econômica, gênero, consciência, preocupação com imagem, emoção, acesso à informação, confiança e hábito.
Esses dados revelam que a sociedade brasileira já tem consciência, mas precisa de estímulos para transformar intenção em ação. É necessário investir em educação do consumidor, criar incentivos fiscais que reduzam preços de produtos sustentáveis e exigir transparência regulatória para evitar retrocessos como a revogação da obrigatoriedade dos relatórios de sustentabilidade pela CVM. Movimentos sociais e campanhas públicas podem mobilizar consumidores e pressionar empresas a manter padrões elevados.
O Brasil já deu passos firmes com a Lei nº 15.042/2024, que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Essa legislação estabelece regras para o mercado de carbono e incentiva empresas a reduzir suas emissões. Mas para que o SBCE funcione de forma robusta, é preciso que consumidores também façam sua parte, escolhendo empresas que comprovem suas práticas por meio de certificações e relatórios transparentes.
O futuro sustentável do Brasil não será construído apenas por legislações ou certificações. Ele depende da soma de milhões de decisões individuais, feitas todos os dias, em cada compra. As pesquisas mostram que a consciência já existe. O desafio agora é transformar essa consciência em hábito. Não podemos aceitar sinais de alerta como retrocessos regulatórios. Precisamos assumir nosso papel e usar o poder do consumo consciente para garantir que a marcha verde brasileira avance sem murchar.

* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética (Contato: rena.zimm@gmail.com)