Sábado, 30 de Maio de 2026

Home Economia O dólar encerrou maio cotado a R$ 5,045

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dólar avançou 0,26% na sexta-feira (29) e encerrou maio cotado a R$ 5,045 —mês de perdas duras para os ativos brasileiros em meio ao fluxo de saída de recursos estrangeiros do país.

Enquanto a moeda acumulou ganhos de 1,82% no recorte mensal, a Bolsa amargou queda de 7,3%, no maior tombo desde fevereiro de 2023 (-7,5%). O Ibovespa encerrou a sessão a 173.787 pontos, em desvalorização de 0,72% em relação ao pregão da véspera.

No ano, o saldo ainda é positivo: o dólar acumula perdas de 11,4%; a Bolsa, ganhos de 7,9%.

O movimento foi resultado de uma postura de aversão ao risco global, que levou grandes fundos internacionais a reduzirem exposição a mercados emergentes. “Esse recuo dos investidores externos foi impulsionado também pela resiliência da economia dos Estados Unidos e pela sinalização de que o Federal Reserve manterá os juros elevados por mais tempo”, afirma Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

“Com a renda fixa norte-americana atrativa e a inflação no atacado global pressionada pelos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, o capital migrou para a segurança dos ativos dos Estados Unidos, deixando o Ibovespa temporariamente desprovido desse fluxo de liquidez e dando tração ao dólar.”

Ela explica que o calendário político também começou a fazer ruído nos mercados, incentivando a procura por proteção na dinâmica cambial.

O mês, vale lembrar, ficou marcado pela divulgação de áudios do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, a Daniel Vorcaro, dono do banco Master preso desde novembro. O escandâlo afetou a campanha do filho mais velho de Jair Bolsonaro —e levou investidores a recalcularem a possibilidade de manutenção da atual política econômica por mais quatro anos.

Até o dia 27 de maio, a saída líquida de estrangeiros somou R$ 14,1 bilhões, excluindo ofertas de ações (IPOs e follow-ons). Com isso, o Ibovespa acumulou uma sequência de sete quedas semanais, a maior desde os meses de abril e maio de 2004. De acordo com dados da LSEG, considerando a série histórica até 1982, o índice nunca caiu por mais do que sete semanas consecutivas.

Domesticamente, o noticiário não deu trégua para a Bolsa. Os Estados Unidos decidiram classificar o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas na quinta-feira, em medida que passará a valer a partir de 5 de junho.

Ainda não estão claras as consequências diretas sobre o Brasil, mas há a percepção de risco econômico. A designação ativa o mecanismo previsto na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade (Immigration and Nationality Act) dos EUA, cuja consequência mais importante é a criminalização de qualquer tipo de “suporte material” às organizações.

“E suporte material é interpretado de forma amplíssima. Inclui financiamento, logística, treinamento, serviços, consultoria, transporte e qualquer apoio econômico direto ou indireto”, escreveu Welber Barral, sócio do Barral Parente Pinheiro Advogados e doutor em direito internacional pela USP, em análise.

Agentes ainda se dividem sobre os possíveis efeitos para o mercado. Zogbi, da Nomad, afirma que existem riscos reputacionais em jogo, sobretudo para instituições que podem ter alguma ligação com as facções. O setor bancário na Bolsa, por exemplo, enfrentou perdas nesta sexta.

“Existem alguns grandes fundos de pensão que têm critérios ESG que excluem automaticamente qualquer país com instabilidade. Isso pode, sim, afetar diretamente países que têm organizações classificadas como terroristas, e um fluxo estrangeiro relevante pode deixar de vir para cá ou sair daqui pontualmente por conta disso”, afirma Zogbi.

A medida ainda pode afetar a nota do Brasil junto a agências de classificação de risco, reduzindo a atratividade do país para investidores estrangeiros. “A tensão diplomática elevada entre Estados Unidos e Brasil, considerando os riscos de uma intervenção americana de qualquer espécie no Estado brasileiro, também aumenta o receio entre os investidores”, diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos.

Por outro lado, há quem veja o crime organizado na mira dos EUA como uma notícia de tiro curto, isto é, que traz volatilidade em um primeiro momento, mas que, no futuro, não tem tanta relevância.

“Macroeconomicamente falando, o mercado não está tão preocupado. O tema é mais político do que econômico e traz, sim, alguma volatilidade no curto prazo. Os bancos, por exemplo, estão sofrendo um pouco por conta dessa insegurança e por não sabermos quais serão as implicações práticas. Mas acredito que, ao longo do tempo, será um ‘não-evento’ para o mercado”, diz Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos. Com informações da Folha de S. Paulo.

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