Quarta-feira, 01 de Julho de 2026

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O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), quer votar o segundo texto de regulamentação da reforma tributária tão logo acabe o recesso parlamentar. De acordo com integrantes do Centrão, é uma estratégia para reforçar a pressão sobre o Senado. O cálculo é o de que a Casa vizinha ficaria mais pressionada a dar andamento aos projetos de lei se tiver não apenas um texto travado na pauta, mas os dois.

Lira confessou aos pares grande irritação após senadores indicarem que não terão pressa para analisar o primeiro texto da regulamentação da reforma tributária, aprovado na Câmara antes do recesso. Nas palavras de um aliado, o presidente da Câmara vê a sinalização como um desprestígio aos deputados, que se mobilizaram para aprovar a matéria com celeridade.

Na tentativa de se antecipar ao movimento dos senadores, Lira afirmou a seus interlocutores no Palácio do Planalto que a Câmara não vai aceitar se o governo retirar o pedido de urgência para a tramitação da reforma tributária no Senado, de acordo com relatos.

Ainda sobre Lira, os principais candidatos à sua sucessão tentam neutralizar uma possível entrada do deputado Hugo Motta (Republicanos) na disputa. Apesar de Elmar Nascimento ser considerado o favorito de Lira, cresceu a percepção entre deputados de que Lira, na verdade, quer viabilizar o nome de Motta.

Pré-candidato à sucessão de Lira, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, prometeu a Motta que deixará o comando do partido para ele caso seja eleito. Parlamentares avaliam que dificilmente Motta puxaria o tapete de Pereira. A menos que Lira costure uma saída.

Facções criminosas

O presidente da Câmara articula a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para endurecer as penas de facções criminosas e controlar fronteiras. Além da regulamentação da reforma tributária, Lira quer deixar como marca de seu mandato uma proposta que amplie os crimes inafiançáveis ligados a tráfico de armas, drogas e milícias, dificultando a soltura de integrantes de facções.

Na sua avaliação, a segurança pública pautará o debate das eleições deste ano e também as disputas de 2026 para os governos estaduais e o Palácio do Planalto. Pesquisas mostram que o tema está entre as principais preocupações da população, à frente até mesmo do desemprego.

Em conversas reservadas, no entanto, Lira tem apresentado ideias diferentes da PEC preparada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, mas ainda não enviada ao Congresso. (O Estado de S. Paulo)

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