Terça-feira, 17 de Maio de 2022

Home Economia Operação-padrão da Receita Federal afeta produção de eletrônicos no País

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Iniciada no fim de dezembro e sem previsão de acabar, a operação-padrão dos fiscais da Receita Federal está provocando paradas de produção na indústria de aparelhos eletrônicos, dada a lentidão no desembaraço de cargas em portos e aeroportos.

Mais da metade das empresas (55%) que respondem às pesquisas semanais feitas pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) afirma enfrentar dificuldades com a chegada de componentes importados.

Algumas tiveram de suspender linhas de produção ou pagar multas por atraso de entregas aos clientes. Esse tipo de problema não foi relatado, por exemplo, na crise de escassez de chips.

Na Finder, fabricante de relés – componente usado, por exemplo, em equipamentos de energia, tornos, fresas, alarmes e automação predial –, o atraso na liberação de itens importados da Itália fez com que a empresa arcasse com custos extras de armazenamento.

“Normalmente, o prazo é de três a quatro dias, mas nas últimas vezes demorou duas semanas”, informa Juarez Guerra, diretor-geral da Finder no Brasil e América Latina. A empresa, com fábrica em São Caetano do Sul (SP), atende a indústrias como Siemens, ABB, GE e Romi.

Protesto

Humberto Barbato, presidente da Abinee, diz que o quadro é preocupante porque se reflete em aumento no preço do produto. “As taxas de armazenagem são infernais. Algo precisa ser feito urgentemente.”

O protesto dos auditores é pela volta do bônus por desempenho. Ocorre em meio à insatisfação do funcionalismo federal após o presidente Jair Bolsonaro prometer reajuste apenas a policiais, o que abriu uma série de protestos das demais categorias por aumentos salariais.

Para 2023

Bolsonaro afirmou em entrevista levada ao ar na noite de sexta-feira pela emissora oficial TV Brasil que, se não houver “entendimento” das demais categorias de servidores públicos federais, ficará para o próximo ano o reajuste salarial prometido por ele para policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes penitenciários.

No final do ano passado, o Congresso Nacional aprovou o Orçamento Federal com reserva de R$ 1,7 bilhão para reajuste a carreiras da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

A previsão de recomposição salarial para essas carreiras provocou reações entre as demais categorias de servidores federais, que passaram a também reivindicar reajuste e ameaçar paralisações. Fiscais da Receita Federal chegaram a entregar cargos de chefia em protesto.

Diante da pressão do funcionalismo, Bolsonaro foi aconselhado por membros do governo a recuar da promessa. Na entrevista à TV Brasil, ele afirmou que, diante da “grita geral”, poderá deixar os reajustes para o próximo ano — em 2023, ele só continuará na Presidência se conseguir um novo mandato na eleição deste ano.

“Tem uma polêmica sobre que teríamos reservado — e é verdade — quase R$ 2 bilhões para conceder reposições à PF, à PRF e ao pessoal que trabalha no sistema penitenciário. Houve uma grita geral. Muitos servidores querem aumento também. Eu acho que todos merecem aumento, todos merecem realmente porque trabalham, mas a pandemia nos deixou numa situação sem recursos”, declarou.

Em seguida, complementou dizendo que a concessão do reajuste dependerá do “entendimento” das demais categorias do funcionalismo federal.

“Se houver entendimento por parte dos demais servidores — alguns ameaçam greve, etc. — a gente pretende conceder essa recomposição aos policiais federais, rodoviários federais e aos agentes penitenciários. Se não houver entendimento, a gente lamenta e deixa para o ano que vem”, afirmou.

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