Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

Home Economia Petrobras quer investir em hidrogênio e baterias de carros

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Desde que foi escolhido para comandar a Petrobras, o ex-senador Jean Paul Prates repete a intenção de reorientar a estatal como uma empresa de energia em vez de ser só uma petroleira, visão que predominou no governo Bolsonaro. Após alterar a política de preços dos combustíveis — uma dor de cabeça para ocupantes do cargo, dada sua sensibilidade política —, a Petrobras está mais perto de definir sua estratégia de diversificação do portfólio para além do petróleo.

No momento em que a companhia completa 70 anos como a empresa mais valiosa do País, fontes renováveis serão incluídas no seu novo plano de negócios, a ser apresentado no fim do ano, disse Prates.

O executivo destaca os projetos de energia eólica offshore , antecipa a ideia de investir em fábricas de hidrogênio e cita estudos para entrar no segmento de baterias para veículos elétricos. Para ele, a estratégia “agrega novos horizontes”:

“Somos uma empresa de petróleo em transição. Não vamos deixar de investir em petróleo de um dia para outro, temos mais 50 anos usando combustível fóssil. São áreas importantes a serem desenvolvidas na próxima década”.

Em junho, Prates anunciou que a estatal vai destinar 15% de seus investimentos a energias verdes entre 2024 e 2028, bem mais que os 6% previstos no plano atual, de US$ 78 bilhões, elaborado na gestão passada.

A Petrobras criou uma diretoria dedicada à transição energética e vem assinando acordos com outras empresas para possíveis projetos em áreas como energia solar, eólica em terra e no mar, e produção de hidrogênio, uma das principais apostas no mundo quando se fala de energia limpa.

Mas ele admite que a reorientação não é simples: “Estávamos atrasados sim. Em 2008, tínhamos parques eólicos e vendemos. Cortaram até a pesquisa do Cenpes (centro de pesquisas no Rio). Largaram as medições eólicas que a Petrobras já tinha nas suas plataformas do Nordeste”.

O plano é agregar projetos ao petróleo, como o uso de estruturas no mar para energia eólica ou ampliar gasodutos e estações de compressão para aproveitar o gás natural, por exemplo, na produção de hidrogênio.

Por isso, diz Prates, fábricas de hidrogênio fazem sentido na estratégia. Mas a ideia é se associar a outras empresas: “Os parceiros vão analisar as rentabilidades conosco”.

Prates já pensa em uma espécie de segunda fase para os projetos renováveis. Cita o desenvolvimento de armazenamento de energia, baterias e o uso de minerais críticos, os insumos críticos para equipamentos de transição energética: “A estatal pretende ampliar a produção de biocombustíveis e investir em inovações como injetar carbono em reservatórios de petróleo e gás vazios para reduzir suas emissões”.

“Bateria é uma coisa ainda muito incipiente. Menciono aqui, mas é uma coisa para começar a tratar em dois anos. É um exemplo muito minúsculo que a gente ainda nem colocou no plano estratégico. É natural que nos próximos anos ocorra migração para isso. Se você pensar que a eletrificação da frota, mesmo com o (carro) híbrido, usa bateria, e quer estar perto do consumidor final em algum momento e participar de uma logística mais capilarizada no futuro, tem que estar olhando para essa área. Estamos vendo o tamanho do negócio e quem está jogando”.

Entre as inovações há a busca de reservatórios de petróleo e gás vazios para injetar carbono de forma a reduzir emissões da empresa. Em outra frente, a Petrobras quer ampliar a produção de biocombustíveis, com óleo vegetal: “São coisas que já existem, então você consegue colocar num projeto Gaslub (ex-Comperj, no Rio) modernizado, já que ele ficou parado no tempo. A segunda unidade da Rnest (em Pernambuco) é a mesma coisa. A Braskem, se a gente aumentar a nossa posição de alguma forma (a estatal detém 36% da petroquímica) ou trazer um parceiro que possa também investir e tenha interesse em tecnologia para o futuro, vamos fazer isso juntos.

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