Sábado, 29 de Agosto de 2026

Home Política Polícia Federal investiga se Roberta Luchsinger atuou para intermediar negócios com os Correios

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A Polícia Federal (PF) investiga se a empresária Roberta Luchsinger atuou para intermediar negócios com os Correios. A suspeita surgiu a partir de uma minuta de contrato encontrada no celular de Luchsinger e de uma mensagem enviada por ela que cita a estatal. A empresária é alvo de um inquérito que apura se ela praticou tráfico de influência em órgãos públicos em conjunto com o seu amigo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Os dois negam qualquer irregularidade.

O documento localizado no celular de Roberta se refere a um acordo entre a empresa RL Consultoria e Intermediações, da qual ela é sócia, e a Safe Consig Tecnologia da Informação, especializada em fornecer uma plataforma para gerenciar empréstimos consignados de servidores públicos.

No arquivo, há uma previsão de pagamento à consultoria de Roberta de uma comissão de 50% sobre as vendas feitas pela Safe Consig. “A título de comissão pelas vendas que realizar, fará jus ao percentual de 50%, que deverá ser calculado sobre o valor total verificado no sistema de financiamento da contratante Safe, mais especificamente sobre o valor líquido”, diz a minuta do contrato.

O documento foi anexado a uma mensagem que Roberta enviou a um interlocutor em 13 de maio de 2024. “Saulo me mandou revisado agora. Vou assinar, tá?”, disse ela. A investigação apura se o nome citado é o de Saulo de Tasso Alves Caracas Dino, sócio da Safe Consig. Procurado, ele disse desconhecer qualquer contrato entre sua empresa e a de Roberta.

Outro sócio da empresa, Rodrigo Feitosa, responsável formal pela assinatura de um contrato com os Correios, disse que a empresária e Lulinha não intermediaram a negociação. “Se alguém eventualmente tratou desse tema, conforme mencionado em sua mensagem, isso não ocorreu, em nenhuma hipótese, com a devida autorização da Safe Consig”, disse ele por mensagem de texto.

Indicações do PT

Duas semanas depois da mensagem em que Roberta afirma que assinaria um acordo com a Safe Consig, a empresa de tecnologia foi contratada pelos Correios. O acordo deu à estatal o direito de usar uma plataforma fornecida pela Safe para administrar a margem de empréstimos consignados de 84 mil funcionários — o modelo prevê o desconto direto em folha de pagamento para quitar a dívida.

O contrato, datado de 28 de maio de 2024, foi fechado sob o regime de comodato, ou seja, sem custos para a estatal. A Safe é remunerada pelas instituições financeiras ao fornecer acesso aos dados dos servidores elegíveis para contrair os empréstimos.

O acordo foi assinado por Fabiano Silva, então presidente da estatal, por Maria do Carmo Lara Perpétuo, que era diretora Econômico-Financeira, Tecnologia e Segurança da Informação, e Getúlio Marques Ferreira, à época diretor de Gestão de Pessoas. As duas áreas eram geridas por indicações de integrantes do PT.

Fabiano mantém uma relação de amizade com Roberta e Lulinha, de acordo com interlocutores. O ex-chefe dos Correios integra o Grupo Prerrogativas, que reúne advogados e pesquisadores próximos ao governo Lula.

Maria do Carmo foi prefeita de Betim (MG) pelo PT, enquanto Ferreira é ligado ao partido no Rio Grande do Norte, onde já exerceu cargos no governo estadual, comandado pela sigla. Eles dois e Fabiano já deixaram a estatal após um processo de mudanças na gestão da estatal.

O ex-presidente da estatal, que costumava se encontrar com Roberta, confirmou conhecer a empresária e Lulinha, mas negou ter interferido na contratação da Safe ou que sua relação com os dois tenha influenciado decisões da estatal.

“Os ritos administrativos nos Correios são cumpridos. Não tem amizade ou camaradagem na instituição. Existe uma governança interna que é cumprida”, disse.

Maria do Carmo afirmou que, embora tenha assinado o documento, a elaboração do contrato ficou a cargo de outro setor.

“Quem faz o contrato é a área administrativa. Foi feito com transparência, com toda a legalidade. Nunca fui procurada por ninguém para pedir nada. Nunca tive contato com Lulinha e Roberta”, disse a ex-diretora. (Com informações do jornal O Globo)

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