Terça-feira, 19 de Maio de 2026

Home Notícias Polícia Federal transfere o dono do Banco Master para cela comum e restringe presença de advogados

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Preso há dois meses na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido para uma cela comum da unidade e passou a ter restrições mais rígidas nas visitas de advogados. A mudança ocorreu nessa segunda-feira (18) e, segundo investigadores da PF, segue normas internas da corporação para custódia de presos.

Vorcaro foi preso preventivamente pela segunda vez no dia 4 de março de 2026 e transferido para a Penitenciária Federal em Brasília dois dias depois, em 6 de março. Ele foi levado para a capital após a Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas envolvendo o Banco Master.

Até então, o banqueiro ocupava uma sala especial dentro da Superintendência da PF, a mesma utilizada anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período em que esteve detido na corporação.

Com a mudança, Vorcaro passou a ocupar uma cela destinada a presos em trânsito pela Superintendência da PF. Pessoas próximas ao banqueiro afirmam que o novo espaço possui estrutura mais precária do que a cela anterior, incluindo limitações de banheiro e acomodação.

Além da transferência, a PF também endureceu as regras para acesso de advogados ao banqueiro. As visitas passaram a seguir controles mais rígidos e horários específicos definidos pela custódia da corporação. Procurada, a defesa de Vorcaro ainda não se manifestou sobre as mudanças.

Obstáculos para a delação

A mudança de cela ocorre dois meses após Vorcaro firmar um termo de confidencialidade para negociar um acordo de delação premiada e em meio a um momento de fragilidade nas tratativas.

O banqueiro enfrenta dificuldades para convencer autoridades de que está disposto a cooperar efetivamente com as investigações.

Diante do avanço das apurações e da sinalização de outros alvos de que também pretendem entregar informações em troca de benefícios, advogados e integrantes da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliam que Vorcaro está pressionado a apresentar uma nova proposta, caso queira obter eventual redução de pena em caso de condenação.

A primeira versão, entregue por sua defesa em 5 de maio, foi considerada insuficiente.

Conforme o jornal O Globo mostrou, investigadores entendem que o material extraído dos celulares do próprio Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e do ex-operador Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, contém muito mais elementos do que os relatos apresentados até agora no rascunho da delação.

Vorcaro não mencionou, por exemplo, a suposta mesada paga ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), em valores que chegariam a R$ 500 mil. A investigação aponta uma relação de proximidade entre o banqueiro e o parlamentar, identificado pela PF como “destinatário central” de favores financeiros pagos pelo dono do Master.

A lista inclui o uso de um imóvel em São Paulo e o custeio de viagens internacionais, com despesas de hospedagem, restaurantes e voos privados. Em nota, a defesa de Ciro declarou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

Outro episódio que ficou de fora da primeira proposta de colaboração, como revelou a colunista Míriam Leitão, envolve cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, para financiar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo orçamento poderia chegar a R$ 124 milhões.

O site Intercept Brasil revelou trocas de mensagens do parlamentar combinando encontros com o banqueiro. O filho do ex-presidente admitiu as conversas, mas nega irregularidades.

Tanto os supostos favores a Ciro Nogueira quanto a relação com Flávio Bolsonaro vieram à tona após a apresentação da primeira proposta da defesa do banqueiro. Para investigadores, quanto mais o tempo avança e as apurações se aprofundam, mais difícil tende a ser para Vorcaro alcançar um acordo considerado favorável.

A colaboração premiada é um instrumento de obtenção de provas que prevê, entre outros pontos, a confissão de crimes e o pagamento de multa. Em troca, o investigado pode receber benefícios, como redução de pena.

Antes de iniciar as tratativas, Vorcaro havia feito dois pedidos aos investigadores: a transferência do presídio federal de Brasília e garantias de proteção a familiares.

Em outro sinal de que um acordo está distante, a PF prendeu na semana passada Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, suspeito de ser operador financeiro da “Turma”, o braço armado da suposta organização criminosa comandada pelo dono do banco Master.

Segundo as investigações, Henrique também atuava como “demandante e beneficiário” do grupo suspeito de intimidar adversários de Daniel Vorcaro.

A PF aponta ainda que Vorcaro utilizou uma conta do pai para ocultar R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas das fraudes financeiras. Procurada, a defesa de Henrique diz considerar a prisão “grave” e “desnecessária”. (Com informações do jornal O Globo)

 

 

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